
A Justiça Eleitoral do Piauí inicia nesta segunda-feira (24) uma das audiências mais longas já programadas no estado. O procedimento, que deve se estender por cinco dias, até sexta-feira (28), vai ouvir a vereadora Tatiana Medeiros (PSB), investigada por suposto envolvimento em crimes eleitorais e ligação com organização criminosa.
Tatiana foi presa pela Polícia Federal em 3 de abril e é apontada como beneficiária de recursos ilícitos durante a campanha que a elegeu vereadora em Teresina em 2024.
A audiência acontece no Fórum Eleitoral, localizado na avenida Marechal Castelo Branco, bairro Ilhotas, zona Sul de Teresina. No total, 112 pessoas foram intimadas para participar da maratona processual. Apenas a defesa da vereadora arrolou 40 testemunhas, que serão ouvidas ao longo da semana.
A expectativa é que os depoimentos ajudem a esclarecer denúncias de lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e financiamento eleitoral irregular.
Sessão anterior foi suspensa
A atual audiência ocorre após a sessão anterior, marcada para 7 de outubro, ser suspensa pela Justiça Eleitoral. Na ocasião, a defesa de Tatiana pediu sua libertação e contestou a legalidade das provas.
O Tribunal de Justiça do Piauí considerou nulo o Relatório de Inteligência Financeira (RIF) que embasava parte das investigações. Segundo o entendimento do TJ-PI, o documento foi solicitado sem autorização judicial, contrariando decisão do Supremo Tribunal Federal sobre o uso desse tipo de informação em investigações criminais.
Situação processual da vereadora e de outros investigados

Tatiana Medeiros teve a prisão preventiva decretada em 23 de março e foi detida pela PF no início de abril. Dois meses depois, em junho, conseguiu autorização judicial para cumprir prisão domiciliar devido a problemas de saúde, mediante medidas cautelares.
Segundo a Polícia Federal, a campanha que a levou ao cargo de vereadora teria sido financiada com dinheiro de uma facção criminosa supostamente liderada por seu namorado, Alandilson Cardoso Passos. Ele foi transferido para o Centro de Detenção Provisória de Altos (PI) em setembro de 2025.
Apesar de o TJ-PI ter concedido relaxamento da prisão ao considerar ilegal o RIF usado na investigação, Alandilson segue detido por responder a outros processos, incluindo corrupção eleitoral, além de possuir outro mandado de prisão em aberto.
O caso envolve nove investigados, incluindo a vereadora:
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Tatiana Medeiros
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Alandilson Cardoso Passos
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Stenio Ferreira Santos
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Maria Odélia de Aguiar Medeiros
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Emanuelly Pinho de Melo
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Lucas de Carvalho Dias Sena
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Bruna Raquel Lima Sousa
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Sávio de Carvalho França
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Bianca dos Santos Teixeira Medeiros
A expectativa é que a audiência desta semana avance na produção de provas e contribua para o desfecho do processo, considerado complexo pela quantidade de investigados e pelo volume de depoimentos previstos.

