Três homens foram presos na manhã desta terça-feira (21), durante uma operação do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), suspeitos de participação na tortura e morte de Francisco Gustavo Ferreira de Araújo, de 34 anos. O crime ocorreu em fevereiro deste ano, em uma vacaria localizada na região do bairro Areias, na zona Sul de Teresina, e, segundo a Polícia Civil, a vítima foi submetida ao chamado “tribunal do crime”, prática adotada por facções criminosas para punir pessoas consideradas infratoras.
De acordo com o delegado Danúbio Dias, responsável pelas investigações, a operação resultou na prisão de três investigados, mas a polícia acredita que pelo menos seis pessoas participaram das agressões que levaram à morte de Francisco. Entre os presos está um homem apontado como “disciplina” da facção Bonde dos 40, responsável por aplicar punições dentro da organização criminosa. Outro suspeito teria localizado a vítima e a entregue ao grupo que executou a sessão de tortura. Um quarto envolvido já foi parcialmente identificado, enquanto outros dois seguem sendo procurados.
As investigações apontam que Francisco sofria de esquizofrenia e era usuário de drogas. Conforme o DHPP, ele costumava comprar entorpecentes em um ponto de venda de drogas da região, onde, posteriormente, a polícia apreendeu porções de crack e maconha.
Segundo a investigação, em uma ocasião anterior ao crime, Francisco agrediu a própria mãe. Na época, a mulher acionou a Polícia Militar, o que provocou a revolta de integrantes da facção que atuava na área. Conforme relatou o delegado, os criminosos passaram a ameaçá-la, afirmando que ela seria morta caso voltasse a chamar a polícia para o local.
Na noite que antecedeu o homicídio, Francisco pegou o celular da mãe e saiu de casa. Temendo procurar novamente a polícia por causa das ameaças recebidas, a mulher decidiu recorrer aos integrantes da facção para que localizassem o filho e recuperassem o aparelho. Conforme o delegado Danúbio Dias, os criminosos encontraram Francisco, o sequestraram e o levaram até uma vacaria, onde foi submetido ao que chamavam de “tribunal do crime”.
Para a Polícia Civil, o local foi usado como cenário de uma sessão de tortura. Francisco sofreu fraturas na coluna e no pescoço, além de diversos ferimentos na região do tórax, provocados, possivelmente, por golpes desferidos com um pedaço de madeira, além de agressões físicas. A violência das lesões causou sua morte.
Na manhã de 26 de fevereiro, equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram acionadas para atender uma ocorrência de agressão na região da Vila Angélica. Quando os socorristas chegaram ao local, a vítima já estava sem vida.
Durante as primeiras diligências, a mãe de Francisco informou apenas que o filho havia desaparecido na noite anterior e não revelou detalhes sobre o ocorrido. Posteriormente, ela deixou sua residência e foi para o Distrito Federal. Meses depois, os investigadores conseguiram localizá-la em uma cidade do norte do Piauí. Em novo depoimento, a mulher relatou que havia procurado a facção para tentar recuperar o celular e contou que saiu à procura do filho ao perceber que ele não retornava para casa, encontrando-o já gravemente ferido na vacaria.
Durante o cumprimento dos mandados de prisão e de busca nesta terça-feira, os policiais também apreenderam porções de cocaína e maconha em um dos endereços ligados aos investigados. Segundo o delegado Danúbio Dias, a apreensão reforça a suspeita de envolvimento do grupo com o tráfico de drogas na região, onde Francisco costumava adquirir entorpecentes.
As investigações prosseguem para identificar todos os envolvidos na morte de Francisco Gustavo Ferreira de Araújo e esclarecer completamente a dinâmica do crime.



