
Um forte terremoto de magnitude 6,0 atingiu nesta segunda-feira (1º) a região leste do Afeganistão, deixando pelo menos 1.411 mortos e cerca de 3.200 pessoas feridas, segundo informações do governo Talibã. A destruição causada pelo tremor é considerada uma das piores nos últimos anos no país.
O epicentro foi registrado entre as províncias de Kunar e Nangarhar, próximas à fronteira com o Paquistão, a cerca de 200 km da capital Cabul, e a apenas 8 km de profundidade, uma posição considerada rasa, que amplifica os efeitos do tremor. A intensidade foi suficiente para que o tremor fosse sentido também em Islamabad, no Paquistão, e em Cabul.
O terremoto atingiu uma região montanhosa com construções precárias, muitas casas feitas de argila, o que dificultou a localização dos corpos e prolongou o trabalho de resgate. Mais de 8 mil residências foram danificadas, e vilarejos inteiros foram parcialmente destruídos.
Centenas de feridos foram levados para hospitais locais, onde médicos relatam atendimento contínuo a vítimas, recebendo uma pessoa atingida pelos tremores a cada poucos minutos. Homens das comunidades afetadas improvisaram o transporte de corpos e feridos, mostrando a gravidade da situação e a falta de infraestrutura adequada.
Apoio internacional e desafios
A ONU informou que diversas agências começaram a prestar auxílio às vítimas em quatro províncias. No entanto, a volta do Talibã ao poder em 2021 reduziu significativamente os recursos internacionais disponíveis para desastres naturais, complicando o envio de ajuda humanitária.
Horas após o tremor principal, cinco tremores secundários foram registrados, com magnitudes entre 4,3 e 5,2, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS).
Contexto histórico
O Afeganistão é altamente suscetível a terremotos, especialmente na cordilheira Hindu Kush, região onde as placas tectônicas da Índia e da Eurásia se encontram. Só em 2024, cerca de 1.000 pessoas morreram em decorrência de tremores no país.
O governo Talibã declarou que todos os recursos disponíveis serão utilizados para salvar vidas, mas o país enfrenta um cenário crítico de emergência humanitária, agravado por construções frágeis e acesso limitado a ajuda internacional.



