
Nesta quarta-feira, 9 de julho, a Terra está vivendo o dia mais curto do ano, segundo cientistas. O fenômeno ocorre devido a uma aceleração sutil na rotação do planeta, o que faz com que ele complete sua volta em torno do próprio eixo 1,30 milissegundo mais rápido que o normal — o equivalente a um tempo milhares de vezes menor que um piscar de olhos.
Apesar de quase imperceptível para os seres humanos, o fenômeno chama atenção da comunidade científica, que monitora esse tipo de variação com relógios atômicos de alta precisão.
Essa não é a primeira vez que a Terra apresenta esse tipo de comportamento. Em 29 de junho de 2022, o planeta bateu o recorde do dia mais curto já registrado desde que os relógios atômicos passaram a monitorar a rotação: 1,59 milissegundo a menos que as tradicionais 24 horas.
Ainda este ano, outros dois dias devem registrar rotações ligeiramente mais rápidas: 22 de julho: 1,38 milissegundo mais curto e em 5 de agosto com 1,51 milissegundo mais curto. Essas oscilações são consideradas normais em escalas de décadas e podem estar ligadas a fatores como o movimento do núcleo da Terra, os oceanos, a atmosfera e eventos sísmicos. No entanto, os cientistas ainda não sabem exatamente o que desencadeia essas variações pontuais.
E se a Terra continuar se adiantando?
Mudanças milimétricas como essas, embora pequenas, podem causar descompassos com o tempo oficial medido pelos relógios. Para ajustar isso, desde 1973 os cientistas utilizam o chamado “segundo bissexto”, que pode ser adicionado ou retirado do tempo oficial. Se os dias mais curtos continuarem, em algum momento podemos precisar de um segundo bissexto negativo, ou seja, tirar um segundo de nossos relógios para que se ajuste à rotação mais rápida da Terra, afirma o pesquisador Jones, do IERS.
Desde a criação desse mecanismo, 27 segundos bissextos já foram adicionados à hora oficial da Terra.



