Teresina terça-feira, 26 maio, 2026

Após quase 10 meses, PM é indiciado pela morte de jovem motorista no Norte do Piauí

PM é indiciado por homicídio 10 meses após morte de motorista em Campo Maior
Após quase 10 meses, PM é indiciado pela morte de jovem motorista no Norte do Piauí/Reprodução

O policial militar Hesron Gonçalves de Sousa e Silva, do Batalhão Especial de Policiamento do Interior (BEPI), foi indiciado pela Polícia Civil do Piauí pelo crime de homicídio na morte do motorista Francisco Werick Silva Alves, de 20 anos. O caso aconteceu em julho de 2025, na cidade de Campo Maior, e a conclusão do inquérito foi divulgada nesta segunda-feira (25), quase dez meses após o crime.

Segundo o delegado Carlos Júnior, responsável pelas investigações, o indiciamento ocorreu após a polícia identificar, em tese, excesso na legítima defesa por parte do policial militar. A decisão foi baseada em depoimentos, laudos periciais e na quebra do sigilo telefônico do investigado, considerada fundamental para o avanço das apurações.

“O inquérito policial foi devidamente concluído, tendo o investigado sido indiciado pela prática do crime de homicídio, em razão do reconhecimento, em tese, de excesso na legítima defesa”, informou o delegado.

Relembre o caso

Francisco Werick foi morto a tiros na madrugada do dia 25 de julho de 2025, dentro do quintal de uma residência no bairro Santa Cruz, em Campo Maior. Na época, a versão inicial apontava que o jovem teria invadido a casa de uma mulher, companheira do policial, e entrado em luta corporal com o PM, que estava no imóvel e reagiu efetuando os disparos.

Ainda conforme informações divulgadas pelo 15º Batalhão da Polícia Militar à época, o motorista teria pulado o muro da residência e tentado entrar pela janela antes da intervenção do policial.

No entanto, durante a investigação, a Polícia Civil encontrou inconsistências no relato inicial. Os laudos periciais apontaram ausência de sinais aparentes de luta corporal no corpo da vítima, inexistência de marcas de arrombamento na residência e disparos sem características de curta distância.

A perícia também identificou indícios de possível alteração da cena do crime antes da chegada dos peritos, além de manchas de sangue no quintal que indicariam que Francisco Werick ainda teria se deslocado após ser baleado.

Hipótese de crime passional foi descartada

A Polícia Civil informou ainda que a hipótese inicial de crime passional foi descartada no decorrer das investigações. Segundo o delegado, não foi identificado qualquer vínculo pessoal, afetivo ou conhecimento prévio entre o policial e a vítima.

“Os elementos informativos produzidos durante a apuração demonstraram que o investigado não possuía qualquer vínculo pessoal, afetivo ou conhecimento prévio da vítima”, afirmou Carlos Júnior.

Família fala em avanço por justiça

Em nota, a defesa da família de Francisco Werick classificou o indiciamento como um “passo importante” na busca por justiça. O advogado Hartonio Bandeira destacou que diligências, pedidos de busca e apreensão, além de perícias técnicas, foram fundamentais para o esclarecimento do caso.

“Hoje, após 10 meses de investigação, recebemos o indiciamento do agente público como responsável pelo crime de homicídio. Um passo importante para a família da senhora Cecília Oliveira na jornada por justiça”, declarou.

Com a conclusão do inquérito, o caso foi encaminhado ao Ministério Público do Piauí e ao Poder Judiciário, que irão decidir se oferecem denúncia criminal contra o policial militar ou se solicitam novas diligências.