
Condenada a quase 40 anos de prisão pelo assassinato dos pais, Suzane von Richthofen voltou ao centro de uma nova controvérsia judicial. Ela ingressou com uma ação na Justiça para reivindicar parte do patrimônio deixado pelo tio, o médico Miguel Abdala Netto, encontrado morto em sua residência na Zona Sul de São Paulo. A herança é estimada em cerca de R$ 5 milhões.
A disputa envolve também Silvia Magnani, prima de primeiro grau do médico, que igualmente se apresentou como interessada direta nos bens. O embate entre as duas começou antes mesmo do sepultamento. Ambas procuraram autoridades para solicitar a liberação do corpo, mas apenas Silvia obteve autorização para realizar o enterro, que ocorreu em Pirassununga, cidade de origem da família.
Segundo a prima, o sepultamento não seguiu o desejo do médico, que queria ser enterrado ao lado de familiares. A cerimônia foi reservada e contou apenas com sua presença. Silvia afirma que Miguel mantinha pouco contato com parentes nos últimos anos e vivia de forma isolada.
No campo judicial, Suzane entrou com pedido para obter a tutela do cadáver, medida que pode lhe garantir a função de inventariante do espólio. Enquanto isso, Silvia declara buscar o que considera justo para preservar a memória do primo e afirma que aceitará a decisão da Justiça, independentemente do resultado.
A definição sobre a herança dependerá da existência de testamento. Caso não haja documento, a legislação brasileira prevê prioridade para herdeiros diretos. Como Miguel não deixou filhos, pais, cônjuge ou irmãos vivos, os sobrinhos figuram como herdeiros preferenciais. Nesse cenário, Suzane e seu irmão, Andreas von Richthofen, teriam vantagem legal sobre os primos.
Andreas, no entanto, não foi localizado até o momento. Informações apontam que ele viveria em endereço indefinido no litoral paulista, o que, na prática, mantém a disputa concentrada entre Suzane e Silvia.
A morte de Miguel Abdala Netto, de 76 anos, foi registrada como suspeita. Ele foi encontrado sentado em uma poltrona dentro de casa, já em estado avançado de decomposição. A principal hipótese investigada é de mal súbito, possivelmente um ataque cardíaco, já que não foram identificados sinais externos de violência. Laudos periciais ainda são aguardados.
A disputa também alcançou o imóvel onde o médico residia. Um vizinho, responsável por guardar a chave da casa, informou que só permitirá o acesso mediante autorização judicial.
Miguel foi tutor de Andreas após o assassinato dos pais, em 2002, e chegou a administrar os bens deixados pelo casal. Posteriormente, Suzane foi declarada indigna de receber a herança dos pais, que ficou integralmente com o irmão.
O caso segue em tramitação na Justiça e deve ter novos desdobramentos nos próximos meses.
Com informações do Correio Braziliense



