
A técnica de enfermagem Auricélia de Sousa Rocha foi presa na manhã desta quarta-feira (8), suspeita de tentar sequestrar uma recém-nascida na Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa, em Teresina. A prisão preventiva foi cumprida por equipes da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), após a investigada receber alta do Hospital Areolino de Abreu, onde estava internada desde a terça-feira (7).
Segundo a Polícia Civil, assim que tomou conhecimento do caso, ocorrido na segunda-feira (6), a equipe iniciou diligências para localizar a suspeita. Durante as investigações, os policiais descobriram que ela havia sido internada em uma unidade psiquiátrica, após recomendação médica de permanência por pelo menos 24 horas. Com a expedição do mandado de prisão preventiva pela Justiça, os agentes aguardaram sua alta hospitalar para efetuar a prisão.
De acordo com o delegado Hugo Alcântara, responsável pelo caso, a mulher foi levada à sede da DPCA, onde permaneceu em silêncio durante o interrogatório. Ela deverá passar por audiência de custódia.
As investigações apontam que Auricélia trabalhava na maternidade, mas não estava escalada para o plantão no dia da ocorrência. Mesmo assim, teria utilizado suas credenciais de funcionária para acessar a unidade, vestiu o uniforme da instituição e circulou entre os leitos conversando com diversas pacientes.
Conforme a polícia, a suspeita se apresentou à família de uma recém-nascida afirmando que levaria a bebê para realizar exames de rotina, como o teste do pezinho e o teste da orelhinha. A acompanhante da mãe, acreditando que se tratava de uma profissional em serviço, entregou a criança.
Bebê foi encontrada dentro de uma bolsa
A tentativa de sequestro foi frustrada graças à desconfiança da tia da recém-nascida, Daniela Beatriz. Segundo relato da familiar, a técnica orientou que ela aguardasse do lado de fora de uma sala localizada em outro andar da maternidade, alegando que acompanhantes não poderiam entrar durante o procedimento.
A mulher contou que estranhou a situação e passou a observar a movimentação da suspeita. Pouco depois, percebeu que ela havia trocado de roupa, soltado os cabelos e colocado óculos antes de seguir em direção a um banheiro carregando uma bolsa grande.
Desconfiada, Daniela abordou a técnica e abriu a bolsa, encontrando a sobrinha em seu interior, com o zíper parcialmente fechado.
A bebê foi resgatada sem ferimentos e devolvida imediatamente à família.
Exames descartaram gravidez
Durante as investigações, a Polícia Civil também apura se a suspeita chegou a engravidar ou se apresentava um quadro de gravidez psicológica.
Segundo o delegado Felipe Bonavides, exames realizados no Hospital Areolino de Abreu, incluindo um teste beta-hCG, confirmaram que Auricélia não estava grávida no momento da prisão.
Ainda conforme a investigação, testemunhas relataram que a técnica havia organizado um chá de fraldas meses antes e mantinha uma residência preparada para receber um bebê. Uma enfermeira também informou à polícia que, em exames ocupacionais realizados anteriormente pela maternidade, teria sido constatado que ela não estava grávida, apesar de apresentar aparência gestacional.
A Polícia Civil investiga agora se houve uma gestação anterior ou se a suposta gravidez era psicológica desde o início.
Defesa cita problemas psicológicos
A defesa da investigada afirmou que ela sofre de transtornos psicológicos decorrentes de abortos recentes e faz uso de medicação controlada.
A Polícia Civil, no entanto, informou que até o momento não foi apresentado qualquer laudo médico que comprove essa condição. Os investigadores ressaltam que a suspeita exercia normalmente suas funções como técnica de enfermagem e que a alegação de insanidade somente poderá ser considerada mediante comprovação pericial.
Maternidade afastou funcionária
Em nota, a Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa informou que registrou boletim de ocorrência e disponibilizou às autoridades todas as informações solicitadas, incluindo imagens do circuito interno de monitoramento.
A direção da unidade afirmou ainda que prestou acolhimento à mãe, ao bebê e à acompanhante, oferecendo atendimento multiprofissional por meio das equipes médica, de psicologia e serviço social.
Como medida administrativa, a técnica de enfermagem foi afastada de suas funções até a conclusão das investigações, quando serão adotadas as providências administrativas e legais cabíveis.
Coren-PI acompanha o caso
O Conselho Regional de Enfermagem do Piauí (Coren-PI) informou que acompanha o caso e instaurará os procedimentos necessários para apurar a conduta da profissional.
Segundo o órgão, eventuais práticas incompatíveis com o exercício da enfermagem serão analisadas com base na legislação e no devido processo legal.
Enquanto isso, a Polícia Civil segue reunindo depoimentos e provas para esclarecer todas as circunstâncias do caso e identificar a motivação da tentativa de sequestro. Auricélia de Sousa Rocha responderá, inicialmente, pelo crime de tentativa de sequestro de menor e permanecerá à disposição da Justiça durante o andamento das investigações.



