Teresina sexta-feira, 29 maio, 2026

EUA classificam PCC e Comando Vermelho como organizações terrorista

Negociação entre Brasil e EUA inclui exigências para combate a facções criminosas e cooperação em segurança | Foto: Divulgação

O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (28) a inclusão das facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês). A medida passa a valer a partir do dia 5 de junho.

A decisão foi divulgada pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, que classificou as duas organizações como grupos criminosos violentos com atuação além das fronteiras brasileiras.

“O CV e o PCC são duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil. Juntas, comandam milhares de integrantes e orquestraram ataques brutais contra policiais brasileiros, funcionários públicos e civis. Sua influência e suas redes ilícitas se estendem muito além das fronteiras do Brasil”, afirmou Rubio em comunicado oficial.

Com a medida, PCC e CV passam a integrar a mesma lista que reúne organizações como Estado Islâmico, Al-Qaeda, Hamas e Hezbollah, além de cartéis internacionais do narcotráfico e grupos armados de diversos países.

Criada em 1996 durante o governo Bill Clinton, a lista de Organizações Terroristas Estrangeiras foi instituída após a aprovação da Lei Antiterrorismo e de Pena de Morte Efetiva, utilizada pelos Estados Unidos para reforçar o combate ao terrorismo internacional.

Nos últimos anos, o governo americano ampliou o uso da classificação para atingir também facções criminosas transnacionais e cartéis do narcotráfico. Atualmente, a lista conta com 94 organizações.

Segundo o Departamento de Estado dos EUA, PCC e CV também foram enquadrados como Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGT), mecanismo que permite sanções financeiras, bloqueio de bens e restrições internacionais contra integrantes e colaboradores dos grupos.

A decisão ocorre apesar da resistência do governo brasileiro. O assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, criticou a medida e afirmou que qualquer possibilidade de utilização da classificação como justificativa para intervenção estrangeira seria “inaceitável”.

As autoridades norte-americanas alegam que as facções brasileiras possuem atuação internacional ligada ao tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e crimes transnacionais, com influência em países da América do Sul e conexões criminosas fora do Brasil.

Com informações de UOL, g1 e O Globo.