Teresina terça-feira, 19 maio, 2026

Justiça manda leiloar carro ligado à vereadora Tatiana Medeiros em investigação de lavagem de dinheiro

A Justiça Eleitoral do Piauí autorizou o leilão antecipado de um veículo de luxo supostamente envolvido em um esquema de corrupção eleitoral, lavagem de dinheiro e associação com organização criminosa. O bem, um Toyota Corolla Cross 2022/2023, avaliado em R$ 140 mil, está registrado em nome de Maria Odélia de Aguiar Medeiros, mas era usado pela filha dela, a vereadora Tatiana Medeiros.

A decisão, assinada no dia 1º de agosto pela juíza Júnia Maria Feitosa Bezerra Fialho, negou o pedido da defesa para devolução do veículo e também rejeitou a solicitação da Polícia Federal de incorporá-lo à frota de uso investigativo, sob o argumento do Ministério Público Eleitoral de que o uso prolongado depreciaria o bem.

Investigação aponta uso do carro em manobras ilícitas

Segundo o inquérito, o veículo teria sido utilizado para ocultar patrimônio e facilitar a movimentação de recursos ilegais. O caso envolve também o namorado da vereadora, Alandilson Cardoso Passos, suspeito de integrar a facção criminosa “Bonde dos 40” e apontado como financiador da campanha de Tatiana com dinheiro proveniente de atividades ilícitas.

As investigações sugerem que a parlamentar pretendia “reembolsar” o valor do veículo como forma de justificar formalmente o apoio recebido, estratégia que dificultaria o rastreamento da origem dos recursos e reforçaria o esquema de lavagem de ativos.

Defesa alega legalidade da compra

A defesa de Tatiana Medeiros afirmou que o carro foi adquirido de maneira regular, por meio de consórcio em abril de 2022, antes dos fatos investigados. No entanto, a magistrada entendeu que há indícios consistentes de que o bem foi usado para encobrir transações ilícitas e incluído de forma fraudulenta na prestação de contas da campanha eleitoral.

Leilão online e destino do dinheiro

O leilão será realizado de forma eletrônica por um leiloeiro oficial. O valor obtido ficará bloqueado em conta judicial até a conclusão do processo. Caso haja condenação, o montante será revertido à União. Se a vereadora for absolvida, o valor será devolvido à proprietária formal, com os rendimentos financeiros acumulados durante o período.