
O Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE-PI) recomendou que a Câmara Municipal de Teresina continue pagando o salário da vereadora Tatiana Medeiros (PSB), mesmo ela estando presa e afastada do cargo desde 3 de abril. A parlamentar recebe mensalmente R$ 24,7 mil.
Tatiana foi detida durante a segunda fase da Operação Escudo Eleitoral, da Polícia Federal, e é acusada de envolvimento com uma facção criminosa que teria financiado sua campanha em 2024. Além dela, outras oito pessoas — incluindo parentes — também viraram rés por organização criminosa, corrupção eleitoral e outros crimes.
A recomendação do TCE veio após consulta feita pela Procuradoria-Geral da Câmara. De acordo com o presidente da Casa, vereador Enzo Samuel (PDT), o tribunal deixou claro que a suspensão do pagamento só poderá ocorrer após eventual cassação do mandato, o que ainda não está em curso nem na Justiça Eleitoral, nem na Câmara Municipal.
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“O TCE entende que a Câmara não pode suspender o salário dela porque ela está à disposição da Justiça. Somente após julgado o processo é que se pode tomar uma decisão em relação a isso. Somos obrigados a fazer o pagamento”, afirmou Enzo.
Enquanto Tatiana segue afastada, o primeiro suplente do PSB, Leondidas Júnior, assumiu a vaga desde 4 de junho e também recebe salário.
A Câmara de Teresina também anunciou que ampliará o prazo de convocação de suplentes em caso de afastamento de vereadores. A alteração, que deve entrar em vigor nesta semana, estende o prazo de 60 para 120 dias, alinhando o regimento interno à jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF).
Após ficar dois meses detida no Quartel do Comando Geral da PM, Tatiana Medeiros teve a prisão convertida em domiciliar por decisão da Justiça Eleitoral, em razão de problemas de saúde. Ela chegou a ser internada no Hospital de Urgência de Teresina e no Hospital da Polícia Militar.
Mesmo sob custódia domiciliar, a vereadora segue oficialmente no cargo até que todos os recursos judiciais sejam esgotados e o processo de cassação seja concluído, caso ela seja condenada.

