Teresina sexta-feira, 6 março, 2026

Seca avança no Piauí e já afeta mais da metade dos municípios com gravidade

Seca avança no Piauí e já afeta mais da metade dos municípios com gravidade; prejuízos se estendem ao setor agrícola/Foto: Gov do Piauí

O Piauí enfrenta um dos períodos mais críticos de estiagem dos últimos anos. De acordo com o mais recente boletim do Monitor de Secas, elaborado pela Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), todos os 224 municípios piauienses permanecem sob condição de seca, sendo que o número de cidades classificadas com seca grave saltou de 61 em abril para 134 em maio. A situação é especialmente preocupante na região central do estado.

O cenário atual já é considerado a pior seca dos últimos oito anos, com impactos diretos sobre o meio ambiente, o abastecimento de água e, sobretudo, a produção agropecuária. Como resposta, a Semarh lançou uma plataforma digital interativa em seu site, que permite à população acompanhar mês a mês os dados do Monitor de Secas, com detalhamento por município. A iniciativa busca garantir transparência, acesso à informação e estímulo ao controle social.

“O cidadão poderá entender como a seca evolui no seu município, comparar com meses anteriores e ter mais consciência do que está acontecendo em seu território”, explicou Felipe Gomes, diretor da Semarh.

Enquanto isso, o Governo do Estado intensifica medidas emergenciais, como a ampliação do acesso à água potável, recuperação de áreas degradadas e apoio a pequenos produtores. “Estamos diante de um desafio que exige respostas rápidas e coordenadas. As ações estão sendo reforçadas para minimizar os impactos nas comunidades mais vulneráveis”, destacou o secretário estadual do Meio Ambiente, Feliphe Araújo.

Prejuízos no campo

O avanço da seca provocou graves perdas na produção agrícola do Piauí. Segundo estimativas atualizadas, o estado deve colher 823 mil toneladas a menos de grãos em 2025, em comparação com a previsão inicial. As culturas mais afetadas são a soja, com retração de cerca de 489 mil toneladas (-12,09%), e o milho, com uma queda de 211 mil toneladas (-10%).

Outros produtos também registraram quedas expressivas: feijão (-47,15%), sorgo (-46,34%), algodão (-14,14%), arroz (-8,72%) e fava (-17,34%). O chefe da Seção de Pesquisas Agropecuárias do IBGE no Piauí, Pedro Andrade, atribui o resultado à falta de chuvas em períodos decisivos da lavoura. “Os pequenos agricultores foram os mais prejudicados, muitos sem estrutura para lidar com a estiagem prolongada”, disse.

Além da quebra de safra, houve também redução significativa na área plantada. A previsão inicial era de 1,85 milhão de hectares, mas caiu para 1,66 milhão, representando uma perda de quase 192 mil hectares. Municípios como Bom Jesus, Currais e Palmeira do Piauí, no Cerrado piauiense, estão entre os mais atingidos.