O fim da escala de trabalho 6×1 — modelo em que o trabalhador atua seis dias e descansa apenas um — tem ganhado destaque nas discussões do Dia do Trabalhador, celebrado em 1º de maio. A proposta, que tramita no Congresso Nacional, é vista por muitos brasileiros como uma oportunidade de melhorar a qualidade de vida e ampliar o tempo dedicado à família, ao descanso e ao lazer.
Atualmente, milhares de trabalhadores enfrentam rotinas intensas com apenas um dia de folga semanal. Para a balconista de farmácia Darlen da Silva, de 38 anos, a mudança é aguardada com expectativa. Mãe de duas filhas, ela relata que o único dia de descanso é consumido por tarefas domésticas. “Não consigo descansar. Resolvo tudo em casa e volto ainda mais cansada para o trabalho”, afirma.
Darlen também demonstra preocupação com possíveis adaptações no modelo. Segundo ela, alguns trabalhadores já enfrentam jornadas mais longas para garantir dois dias de folga, o que nem sempre compensa. “Tem gente trabalhando até 11 horas por dia. Isso acaba sendo ainda mais cansativo”, alerta.
No setor de serviços, a realidade é semelhante. O garçom Alisson dos Santos, de 33 anos, diz que o tempo livre atual não é suficiente nem para resolver questões pessoais. “Sempre aparece algo: escola dos filhos, médico, coisas de casa. Não sobra tempo para descansar de verdade”, conta. Para ele, um dia a mais de folga permitiria até pequenas viagens e momentos de lazer com a família.
Em São Luís, a cabeleireira Izabelle Nunes, de 26 anos, também defende a mudança, mesmo sem acompanhar de perto o debate político. “Todo trabalhador merece pelo menos dois dias de descanso. A gente precisa de tempo para cuidar da saúde, estudar e viver”, destaca.
Já a professora Karine Fernandes avalia que a proposta vai além da rotina de trabalho e impacta diretamente a estrutura familiar. “Mais tempo com os pais significa mais qualidade na formação das crianças e no bem-estar dos adultos”, pontua.
Propostas em discussão
O tema está em análise no Congresso Nacional por meio de diferentes propostas. Uma delas é a PEC 221/19, que prevê a redução da jornada semanal de 44 para 36 horas, com implementação gradual ao longo de dez anos. Outra proposta, a PEC 8/25, sugere uma escala de quatro dias de trabalho por semana, também com limite de 36 horas.
Além disso, o governo federal encaminhou um projeto de lei com urgência constitucional para extinguir a escala 6×1 e reduzir a carga horária semanal para 40 horas. Caso não seja votado em até 45 dias, o projeto pode travar a pauta da Câmara dos Deputados.
Debate em alta
O fim da escala 6×1 se tornou uma das principais bandeiras de movimentos trabalhistas em todo o país neste 1º de Maio. A discussão envolve não apenas produtividade e economia, mas principalmente o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.
Enquanto o debate avança no Congresso, trabalhadores seguem na expectativa de mudanças que possam garantir mais descanso, saúde e tempo de qualidade com suas famílias.
Fonte: Agência Brasil




