Teresina terça-feira, 22 setembro, 2026

PGR pede prisão de Carla Zambelli após deputada deixar o Brasil rumo à Europa

Foto: Lula Marques/ Agência Brasil

A Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou nesta terça-feira (3) ao Supremo Tribunal Federal (STF) a prisão da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), após a parlamentar confirmar, em entrevista a um canal no YouTube, que deixou o Brasil rumo à Europa. A medida foi encaminhada ao ministro Alexandre de Moraes, relator dos processos contra Zambelli no STF.

Zambelli afirmou que viajou para dar continuidade a um tratamento de saúde e que pedirá licença do mandato, o que permitirá a posse de seu suplente, Coronel Tadeu (PL-SP). A deputada também declarou que pretende permanecer na Europa, mas não revelou o país em que está, apenas mencionando possuir cidadania italiana.

A saída do país ocorre duas semanas após a condenação de Zambelli a 10 anos de prisão pela Primeira Turma do STF, por envolvimento na invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em 2023. Segundo a acusação, ela foi a mentora da fraude que visava emitir um mandado falso de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes. O hacker Walter Delgatti, que executou a ação, também foi condenado e afirmou ter agido a mando da parlamentar. Ambos deverão pagar R$ 2 milhões em danos morais coletivos, e Zambelli poderá perder o mandato após o trânsito em julgado da decisão.

Além disso, a deputada responde a outro processo criminal, relacionado ao episódio em que perseguiu, armada, o jornalista Luan Araújo às vésperas do segundo turno das eleições de 2022. Nesse caso, o STF já formou maioria de 6 votos a 0 para condená-la a 5 anos e 3 meses em regime semiaberto, mas o julgamento foi interrompido por um pedido de vista do ministro Nunes Marques.

Com a fuga do país, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) protocolou uma representação na PGR pedindo a decretação da prisão preventiva de Zambelli, sua inclusão na lista vermelha da Interpol e a abertura de processo de extradição. Farias também solicitou o bloqueio de bens da deputada e a revogação de seu passaporte diplomático.

A defesa de Zambelli sofreu uma baixa: o advogado Daniel Bialski anunciou que deixou o caso por “motivos de foro íntimo”, após ser informado por ela sobre sua saída do Brasil.

Na entrevista, Zambelli criticou o STF, citando a condenação da cabeleireira Débora dos Santos pelos atos golpistas de 8 de janeiro como desproporcional. Ela afirmou estar sendo perseguida politicamente e declarou que pretende seguir atuando politicamente da Europa, à semelhança do deputado Eduardo Bolsonaro, que se licenciou do cargo e está nos Estados Unidos.

Carla Zambelli alegou que está sendo censurada e perseguida judicialmente, e que pretende manter contato com sua base política por meio das redes sociais, agora administradas por sua mãe.

Por fim, voltou a atacar o sistema eleitoral brasileiro, afirmando que “as urnas não são confiáveis” e que só haverá democracia com “voto impresso e contagem pública”, declarações que seriam passíveis de punição se feitas em território nacional, segundo a própria deputada.

Informações da Agência Brasil