Teresina sexta-feira, 27 fevereiro, 2026

Influenciadora Virginia Fonseca diz à CPI das Bets que não tem culpa pelo vício de seguidores: “Não tenho o poder de fazer nada”

Em depoimento à CPI das Bets nesta terça-feira (13), a influenciadora Virginia Fonseca, uma das maiores personalidades digitais do país, afirmou que não se arrepende de ter feito publicidade para casas de apostas e declarou, sem hesitação, que “não pode fazer nada” por seguidores que pedem socorro por conta do vício no jogo.

Com mais de 50 milhões de seguidores nas redes sociais, Virginia foi convocada pela relatora da comissão, senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), para esclarecer seu envolvimento em campanhas de marketing para as plataformas Blaze e Esportes da Sorte.

Qual é o limite da responsabilidade?

Mesmo com um faturamento de R$ 750 milhões em sua marca de cosméticos, a Wepink, apenas em 2024, Virginia continua sendo garota-propaganda de empresas de apostas — um mercado que cresce à custa do vício, do endividamento e da destruição de milhares de famílias brasileiras.

Questionada sobre os danos causados por essa indústria, ela declarou:

“Eles pedem socorro pra senhora [senadora], porque a senhora tem o poder de fazer alguma coisa. Eu não tenho.”

A fala causou indignação entre parlamentares e na opinião pública, por demonstrar indiferença ao sofrimento de quem se vê envolvido num ciclo de perdas financeiras e problemas psicológicos impulsionados por anúncios muitas vezes glamorizados.

Publicidade de apostas e ‘cláusula da desgraça’

Virginia negou ter cláusulas contratuais que garantam comissões sobre a perda dos jogadores — chamadas de “cláusula da desgraça” — mas confirmou que receberia um bônus caso dobrasse o lucro da casa de apostas, o que, na prática, incentiva mais usuários a apostarem.

A influenciadora também confirmou que mantém contrato ativo com a Blaze, empresa investigada em diversos estados por supostas práticas abusivas e por operar no limite da regulamentação.

CPI quer saber: influenciadores estão lucrando com o sofrimento alheio?

A relatora da CPI, Soraya Thronicke, reforçou que a comissão investiga justamente o uso da imagem de celebridades para atrair novos jogadores — muitos deles jovens e vulneráveis, que apostam alto acreditando no estilo de vida ostentado por seus ídolos digitais.

“É um problema de saúde pública, saúde mental, e que está destruindo famílias””, afirmou Soraya.

Um show à parte: selfie com senador e audiência com clima de espetáculo

A audiência também teve momentos polêmicos. O senador Cleitinho (Republicanos-MG), por exemplo, pediu uma selfie com Virginia no meio da sessão, chamando-a de “geradora de riqueza”. O gesto foi duramente repreendido pelo presidente da CPI, que exigiu respeito ao caráter sério da investigação.

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