Teresina quarta-feira, 10 junho, 2026

Vacina contra a dengue do Butantan tem aplicação suspensa temporariamente após investigação de casos raros

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Foto: João Risi/MS

O Ministério da Saúde anunciou a suspensão temporária da estratégia de vacinação com a vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. A medida foi adotada de forma preventiva após o registro de 42 casos de reações consideradas raras e inesperadas entre as mais de 500 mil doses aplicadas no país.

Segundo o governo federal, os casos representam cerca de 0,008% do total de pessoas imunizadas até 30 de maio. Entre as ocorrências notificadas, três foram classificadas como graves, incluindo duas mortes que ainda estão sob investigação para determinar se possuem relação com o imunizante.

De acordo com o Ministério da Saúde, os sintomas observados nos casos investigados incluem dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos. As reações não haviam sido identificadas durante os estudos clínicos realizados antes da aprovação da vacina.

A vacinação com a Butantan-DV teve início em janeiro deste ano e contemplava profissionais da Atenção Primária à Saúde, além de pessoas entre 15 e 49 anos em Botucatu (SP), Maranguape (CE), Nova Lima (MG) e na região de Araguaína, no Tocantins.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a suspensão segue o princípio da precaução e permitirá que o Ministério da Saúde, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Instituto Butantan aprofundem as investigações sobre os casos registrados.

Apesar da interrupção temporária da estratégia de vacinação, o ministério destaca que ainda não existe comprovação de que os casos graves tenham sido causados pela vacina. Também não foram identificadas evidências de falhas no armazenamento, transporte ou aplicação das doses.

Orientação para quem já recebeu a vacina

As autoridades orientam que pessoas vacinadas observem seu estado de saúde durante os 21 dias após a aplicação. Caso apresentem sintomas como febre, dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, tontura, sonolência excessiva, sinais de desidratação ou piora do estado geral, devem procurar atendimento médico imediatamente.

Segundo o Instituto Butantan, após esse período não há mais componente ativo da vacina detectável no organismo. O diretor do instituto, Esper Kallás, ressaltou que os imunizados continuam protegidos contra os quatro sorotipos da dengue e podem ficar tranquilos quanto à eficácia demonstrada nos estudos clínicos.

Vacina passou por testes antes da aprovação

A vacina do Butantan recebeu autorização da Anvisa em dezembro de 2025 após cerca de 20 anos de desenvolvimento. Os estudos clínicos envolveram mais de 11 mil voluntários acompanhados por cinco anos.

Os resultados apontaram eficácia geral de 65% contra a dengue e de 80,5% na prevenção de casos graves da doença.

O Ministério da Saúde reforçou que a identificação de eventos adversos raros faz parte do sistema de farmacovigilância adotado para monitorar a segurança dos imunizantes após sua introdução na rede pública de saúde.

Cenário da dengue no Brasil

Dados do Ministério da Saúde mostram que, até 30 de maio de 2026, o Brasil registrou redução de 94% nos casos prováveis de dengue e de 97% nos óbitos em comparação com o mesmo período de 2024.

Mesmo com a suspensão temporária da vacina do Butantan, o Sistema Único de Saúde (SUS) continua oferecendo a vacina Qdenga para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. O governo federal destaca que a vacinação segue sendo uma das principais ferramentas no combate à dengue e na prevenção de casos graves da doença.

Fonte: Ministério da Saúde com in formações do BBC News Brasil.