
Os depoimentos prestados nesta semana pelos réus do chamado “núcleo crucial” da suposta tentativa de golpe de Estado, segundo fontes do Supremo Tribunal Federal (STF) e da Procuradoria-Geral da República (PGR), não trouxeram revelações inéditas, mas reforçaram a narrativa já apresentada na denúncia formal. A percepção geral é de que os interrogatórios seguiram dentro do esperado, com os acusados tentando se desvincular das acusações, mas, ao mesmo tempo, confirmando detalhes cruciais da trama.
Entre as confirmações está a participação direta dos acusados em reuniões onde, conforme sustentado pela PGR, foi debatida a elaboração da chamada “minuta do golpe” — documento que previa medidas inconstitucionais para reverter o resultado das eleições de 2022. Os réus também citaram os “considerandos”, parte introdutória do texto que serviria como base para justificar ações antidemocráticas.
Apesar de negarem ao ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF, que os encontros tivessem caráter golpista, os elementos reunidos por investigadores, como mensagens, anotações e testemunhos, sustentam a tese de tratativas golpistas.
Mauro Cid e os desdobramentos da delação

Dentre os depoimentos, o do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro e delator premiado, foi considerado particularmente relevante pela PGR. Segundo procuradores, ele confirmou informações centrais da investigação, incluindo a atuação do ex-presidente nas discussões sobre contestação dos resultados eleitorais.
Enquanto isso, a participação do ministro Luiz Fux nas audiências chamou atenção por seus questionamentos incisivos aos réus. Advogados veem nele uma figura que pode atuar como uma espécie de “revisor informal” da condução de Moraes, o que pode influenciar o clima interno no Supremo.
Encaminhamentos finais do processo
Com os interrogatórios concluídos, a ação penal entra agora em uma nova fase. Advogados e a PGR terão cinco dias para solicitar eventuais diligências complementares. Após essa etapa, abre-se o prazo para as alegações finais — 15 dias para a acusação, seguidos pelo mesmo período para a defesa de Mauro Cid, e, na sequência, os demais réus.
A conclusão dessa fase levará o relator Alexandre de Moraes a redigir seu voto. Não há prazo definido para isso, mas a expectativa dentro do STF é que o julgamento aconteça no segundo semestre de 2025, na Primeira Turma da Corte, que decidirá se Bolsonaro e seus aliados serão absolvidos ou condenados.



