
A Polícia Civil do Piauí, por meio do Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO), prendeu e apreendeu quatro suspeitos envolvidos no assassinato do adolescente Alex Mariano Nascimento Moura, de 16 anos, ocorrido na manhã desta quinta-feira (14), na Unidade Escolar Residencial Esplanada, localizada na zona Sul de Teresina.
O menor T.G.S.M., conhecido como “Neguinho”, foi localizado no bairro Torquato Neto e conduzido à sede do DRACO para prestar depoimento. Segundo ele, a motivação do crime teria sido uma postagem feita por Alex no Instagram, visível apenas para “melhores amigos”, na qual o adolescente aparecia com uma arma de fogo modelo Beretta. Uma adolescente teria mostrado a imagem a integrantes de uma organização criminosa, identificados pelas iniciais I.S.B. (“Balinha”), B.B.R. e A.A.P. (“Maguim”).

De acordo com o depoimento, o grupo abordou Alex, tomou-lhe o celular e, após confirmar que ele integrava uma facção rival, A.A.P. pulou o muro da escola e afirmou que retornaria para cometer o homicídio. Minutos depois, T.G.S.M. chamou a vítima com a promessa de devolver o aparelho, momento em que Alex foi executado por A.A.P. no fundo da escola, que fugiu em seguida.
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Durante a madrugada, a Polícia Civil localizou a mãe de outro adolescente envolvido, que compareceu à delegacia acompanhada do filho. Ele confirmou a versão apresentada por T.G.S.M. e relatou ter participado do que foi caracterizado como um “tribunal do crime” na escola, culminando na morte do adolescente.
Além de T.G.S.M., foram presos uma mulher, A.P.C., apontada como responsável por enviar a foto de Alex aos criminosos, um homem maior de idade e o menor B.B.R..
Cronologia e histórico do atirador
O autor dos disparos, A.A.P., de 17 anos, possui histórico criminal extenso. Entre 2024 e 2025, ele já havia sido apreendido diversas vezes por atos infracionais análogos a roubo, dano e ameaça. Em janeiro de 2025, foi internado no Centro Educacional de Internação Provisória (CEIP) por 45 dias, e em maio cumpriu nova internação. Recebeu liberdade assistida em 14 de julho, menos de um mês antes de cometer o homicídio.
O caso evidencia, segundo o secretário de Segurança Pública, Chico Lucas, a fragilidade do sistema de contenção da violência juvenil e a reincidência de adolescentes ligados a facções. “A demora no julgamento de processos por atos infracionais graves faz com que adolescentes sejam colocados em liberdade ‘assistida’ de forma abrupta. A cada nova ocorrência, reforça-se a sensação de impunidade, estimulando a reincidência e aumentando a audácia dos jovens infratores”, afirmou.
Crime registrado em vídeo

Imagens do circuito interno da escola mostram que, minutos antes do homicídio, um homem com capacete caminhou em frente ao muro da unidade. Logo depois, a vítima foi vista se deslocando para a parte de trás das salas de aula, seguida pela fuga do suspeito após os disparos.
A Polícia Civil continua as investigações para localizar outros envolvidos e garantir a responsabilização completa pelos atos.



