
A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de aplicar uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros começa a gerar impactos diretos na economia do Piauí. Um dos primeiros reflexos foi sentido pela Casa Apis, maior central de cooperativas de mel do Semiárido brasileiro, que teve 95 toneladas de mel orgânico retidas no Porto do Pecém, no Ceará, neste sábado (12).
A carga, que saiu da cidade de Picos (PI), já havia passado por todos os trâmites aduaneiros e estava pronta para embarque com destino aos EUA. No entanto, os clientes americanos solicitaram a suspensão do envio, alegando incertezas provocadas pela nova política tarifária que entra em vigor oficialmente em agosto de 2025.

De acordo com o presidente da Casa Apis, Sitônio Dantas, o comunicado de cancelamento chegou na tarde da última sexta-feira (11), pegando todos de surpresa.
A tarifa de Trump faz parte de uma política protecionista adotada pelo governo norte-americano, que pode comprometer importantes cadeias exportadoras do Brasil, como a do mel orgânico, em que o Piauí é destaque nacional.
Com mais de 500 quilômetros de transporte terrestre entre Picos e o terminal marítimo em São Gonçalo do Amarante (CE), a logística já estava avançada. Agora, a representante da Casa Apis nos Estados Unidos tenta reverter o quadro, apelando para as boas relações com os compradores norte-americanos.
A situação levanta preocupação entre os produtores e cooperativas da região, que dependem da exportação para manter a sustentabilidade econômica. A expectativa é de que, mesmo com a nova taxação, acordos individuais ou flexibilizações sejam discutidos para garantir que produtos como o mel piauiense não sejam completamente retirados do mercado americano.



