
A ex-chefe de gabinete do ex-prefeito de Teresina, Dr. Pessoa (PRD), Suellene Pessoa, foi colocada em liberdade na manhã de domingo (19), após o término do prazo de sua prisão temporária. Segundo o advogado de defesa, Djalma Filho, a Polícia Civil do Piauí não solicitou a prorrogação da medida, o que resultou na soltura da investigada.
“A Srta. Suellene Pessoa foi liberada pela polícia e pela justiça nas primeiras horas do dia e já retomou sua rotina de estudos, aguardando os próximos passos da investigação”, informou o advogado em nota.
Suellene é apontada como uma das principais investigadas na Operação Gabinete de Ouro, deflagrada pelo Departamento de Combate à Corrupção e Lavagem de Dinheiro (Deccor), que apura um esquema de desvio de recursos públicos avaliado em cerca de R$ 75 milhões durante a gestão do ex-prefeito.
Na última quinta-feira (16), ela prestou depoimento por videoconferência à Polícia Civil, assim como outros três ex-servidores da prefeitura que também foram presos na operação.
De acordo com o inquérito policial, ao qual a imprensa teve acesso, as investigações tiveram início após uma denúncia anônima enviada ao site da Polícia Civil em outubro de 2024. O documento trazia o título “O Gabinete de Ouro” e mencionava diretamente Suellene Pessoa, conhecida também como Sol Pessoa, e Marcos Almeida, apontado como seu operador financeiro.
Segundo o delegado Ferdinando Martins, coordenador do Deccor, Suellene exercia papel central no esquema.
“Ela era a pessoa que dialogava diretamente com fornecedores, com um empresário que também fazia interlocução com os terceirizados. Ela tinha protagonismo dentro do trabalho. Ela centralizava os pagamentos, realocava tercerizados”, declarou o delegado.
Conversas interceptadas entre Suellene e Marcos mostram a movimentação do grupo. Em uma das mensagens, ela solicita vagas de R$ 2,5 mil em secretarias municipais, enquanto o operador confirma repasses de valores e envia comprovantes de depósitos feitos a pedido dela.
A polícia aponta ainda que parte do dinheiro desviado foi usado para despesas pessoais e compra de artigos de luxo, como bolsas e eletrônicos. Durante as buscas, foram apreendidos imóveis, um sítio e outros bens atribuídos à investigada.
Operação relacionada investiga ex-vereadores
Paralelamente, a Operação Interpostos, desdobramento da Gabinete de Ouro, investiga ex-vereadores de Teresina, entre eles Stanley Freire, ex-presidente da Fundação Municipal de Cultura (FMC).
A delegada Bernadete Santana informou que foram identificadas movimentações financeiras suspeitas, incluindo transações que somam R$ 14 milhões entre 2020 e 2023.
O advogado de Stanley, Deomar Fonseca, afirmou que já apresentou documentos que comprovariam a legalidade das movimentações e que o ex-parlamentar tem colaborado com as investigações.



