Teresina quarta-feira, 22 julho, 2026

Luiz Fux questiona competência da Turma e vota pela anulação do julgamento da trama golpista

Foto: Rosinei Coutinho

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) retomou na manhã desta quarta-feira (10) o julgamento conhecido como trama golpista, envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete réus, acusados de participação na tentativa de golpe de Estado em 2022.

Até o momento, os ministros Alexandre de Moraes, relator do caso, e Flávio Dino já votaram pela condenação dos réus. O julgamento desta quarta-feira contou com o início do voto do ministro Luiz Fux, terceiro a se pronunciar.

Fux destacou que não cabe ao STF exercer juízo político sobre os atos analisados. Segundo ele, “Não compete ao STF realizar um juízo político do que é bom ou ruim, conveniente ou inconveniente e apropriado ou inapropriado. Cabe ao tribunal dizer o que é constitucional ou inconstitucional, legal ou ilegal”. O ministro ressaltou ainda a necessidade de distanciamento e independência por parte do julgador.

No voto preliminar, Fux declarou nulidade de todos os atos praticados pela Turma e votou pela incompetência da Primeira Turma para julgar o caso, defendendo que o processo seja analisado pelo plenário do STF, uma vez que os réus não possuem prerrogativa de foro por exercerem cargos previstos na Constituição.

Se o voto de Fux seguir a linha de Moraes, a maioria para condenação poderá ser formada. A definição das penas ainda será discutida posteriormente, considerando o grau de envolvimento de cada réu, como indicado por Flávio Dino.

O julgamento da trama golpista envolve os seguintes réus:

  • Jair Bolsonaro – ex-presidente

  • Alexandre Ramagem – ex-diretor da Abin

  • Almir Garnier – ex-comandante da Marinha

  • Anderson Torres – ex-ministro da Justiça

  • Augusto Heleno – ex-ministro do GSI

  • Mauro Cid – ex-ajudante de ordens da Presidência

  • Paulo Sérgio Nogueira – ex-ministro da Defesa

  • Walter Braga Netto – ex-ministro da Casa Civil

Sete deles respondem pelos crimes de: abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, participação em organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.

A Primeira Turma ainda deve ouvir os votos dos ministros Cármen Lúcia e Cristiano Zanin, presidente do colegiado. O desfecho será decidido por maioria, podendo resultar em absolvição ou condenação, seguida da dosimetria da pena.

O julgamento prossegue nesta quarta-feira, com transmissão ao vivo para acompanhamento público.

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