
Um recém-nascido bateu a cabeça ao nascer no último sábado (4) no Hospital Santos Silva, em Gaia, Portugal, após o parto ocorrer na recepção da unidade, segundo denúncia do pai da criança, Frederico Werpel Fernandes. O caso expõe problemas no atendimento médico e falhas no Sistema Nacional de Saúde português.
Frederico relatou que a esposa, Fernanda, já sentia fortes dores de parto ao chegar ao hospital, mas que a equipe médica não ofereceu atendimento adequado, atrasando procedimentos e, segundo ele, zombando do sofrimento da paciente. “Eu gritava por uma maca, tinham policiais e bombeiros olhando passivamente. Cena revoltante”, afirmou.
O casal, residente legal em Portugal desde 2021, já possui dois filhos e havia realizado todas as consultas prévias com acompanhamento médico de família. Apesar do histórico de dilatação rápida e pedidos de monitoramento, nenhum exame inicial foi realizado, e a família precisou voltar para casa antes do parto. As contrações continuaram, obrigando o retorno ao hospital, onde o bebê acabou nascendo no chão da recepção.
Após o nascimento, o bebê, chamado Levi, passou por tomografias e exames de sangue, que não identificaram hemorragias ou complicações graves. Ele permanece internado por precaução, enquanto a mãe recebeu alta médica.
O caso evidencia falhas do sistema de saúde português, que enfrenta crise de mão de obra e estrutura, especialmente em emergências obstétricas aos finais de semana. Dados indicam que, até 2025, 60 bebês nasceram em ambulâncias no país devido à falta de atendimento adequado.
O Hospital Santos Silva, em nota, afirmou que a paciente não estava em fase ativa de trabalho de parto ao chegar e que a situação súbita não poderia ser prevista, mesmo em casos de gestantes multíparas. Já o pai registrou queixas na Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) e na Ordem dos Médicos, alegando violação dos protocolos de emergência.



