Teresina terça-feira, 10 março, 2026

Polícia Civil pede prorrogação do inquérito envolvendo suposto esquema de corrupção liderado pela ex-assessora de Dr. Pessoa

A Polícia Civil do Piauí deve solicitar, nos próximos dias, a prorrogação do prazo para concluir o inquérito que apura suspeitas de corrupção na Prefeitura de Teresina durante a gestão do ex-prefeito Dr. Pessoa (PRD). As investigações apontam que o esquema seria comandado pela ex-chefe de gabinete, Sol Pessoa, e teria envolvido irregularidades financeiras e administrativas de grande escala.

A ampliação do prazo, segundo a corporação, é necessária devido ao volume expressivo de material apreendido — entre celulares, tablets, documentos e computadores — que ainda está em análise pela perícia. A avaliação desses itens é considerada essencial para traçar a linha completa de operações financeiras e identificar a responsabilidade de cada investigado.

Operação “Gabinete de Ouro”

Deflagrada em 14 de outubro, a Operação Gabinete de Ouro marcou o início da ofensiva policial sobre o suposto esquema. Coordenada pelo Departamento de Combate à Corrupção (DECCOR), a ação cumpriu 14 mandados de busca e apreensão e quatro de prisão temporária, além de determinar o bloqueio de R$ 75 milhões em bens e valores.

De acordo com o delegado Ferdinando Martins, há indícios de que Sol Pessoa controlava pagamentos, contratações e a distribuição de salários dentro da administração municipal, praticando “rachadinha” e utilizando operadores financeiros para movimentações irregulares. As investigações sugerem que parte do dinheiro teria sido direcionada à compra de imóveis.

O caso teve início após um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificar movimentações suspeitas envolvendo servidores do município. A partir daí, o Laboratório de Lavagem de Dinheiro da Polícia Civil aprofundou a análise, detectando o uso de laranjas e de empresas de fachada para encobrir a origem dos valores.

Paralelamente ao Gabinete de Ouro, a Polícia Civil também desenvolve a Operação Interpostos, que apura irregularidades envolvendo ex-vereadores e ex-gestores municipais. Entre os alvos está Stanley Freire, ex-presidente da Fundação Municipal de Cultura.

A delegada Bernadete Santana informou que as suspeitas recaem sobre movimentações financeiras incompatíveis com rendimentos declarados. Um dos investigados teria movimentado cerca de R$ 14 milhões entre 2020 e 2023. A defesa de Stanley, representada pelo advogado Deomar Fonseca, afirma que a documentação já entregue à polícia comprova a origem lícita dos valores.

Avanço das investigações

Com a análise dos materiais apreendidos ainda em andamento, a Polícia Civil acredita que a prorrogação permitirá o aprofundamento das apurações e o esclarecimento da estrutura completa do suposto esquema. O inquérito pode resultar em novas diligências e, eventualmente, no indiciamento de outros envolvidos.

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