
Desde 2019, empresas controladas por familiares do senador Marcelo Castro (MDB-PI) têm garantido contratos bilionários com recursos públicos, especialmente no estado do Piauí. O volume total já ultrapassa R$ 2,2 bilhões, conforme levantamento divulgado pelo portal UOL nesta sexta-feira (6).
O caso mais recente envolve a Construtora Jurema, pertencente a João Castro, irmão do senador, que venceu uma licitação no início de maio para a pavimentação de 114 km da BR-330, no trecho que liga as divisas do Piauí com Maranhão e Bahia. O contrato faz parte do novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e está orçado em R$ 482 milhões.
A escolha da empresa chamou atenção porque apresentou um preço mais alto do que outras cinco concorrentes. Todas foram desclassificadas pela comissão de licitação, alegadamente por irregularidades documentais.
Além da Jurema, outras construtoras da família também vêm sendo beneficiadas com contratos vultosos. A Construtora Ótima, de Humberto Castro (outro irmão de Marcelo), recebeu R$ 205 milhões para a construção de uma barragem no município de Cocal, também com verba do PAC. A concorrência teve disputas judiciais e desclassificações similares. Outro beneficiado é Lourival Castro, primo do senador, proprietário da Construtora Renata, que também atua com exclusividade no estado do Piauí.
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O que une os três casos é a forte presença política de Marcelo Castro nos órgãos responsáveis pelas contratações. Atual presidente da Comissão Mista de Orçamento do Senado, o senador tem influência direta sobre o destino de emendas parlamentares, que frequentemente financiam as obras ganhas pelas empresas de seus parentes.
Desde 2019, as empreiteiras da família de Marcelo têm protagonizado licitações milionárias, com foco em infraestrutura e obras públicas no estado. O padrão de vitórias após desclassificação de concorrentes vem sendo recorrente, gerando questionamentos sobre a lisura dos processos.



