Teresina terça-feira, 14 julho, 2026

Padre piauiense rejeita excomunhão do Vaticano e afirma que continuará celebrando missas

Padre Francoá Costa gravou um vídeo de 35 minutos intitulado como "resposta aos inimigos"
Imagem: Reprodução

O padre Françoá Rodrigues Figueiredo Costa, natural de Redenção do Gurguéia, no Sul do Piauí, afirmou que não reconhece a excomunhão anunciada pela Igreja Católica e que continuará celebrando missas na Capela Santo Atanásio, em Ceilândia (DF).

Em pronunciamento divulgado nas redes sociais, o sacerdote classificou a decisão como “nula” e disse que a comunidade continuará mantendo suas atividades religiosas. Segundo ele, a capela seguirá realizando celebrações e orando pelo papa Leão XIV e pelo arcebispo de Brasília.

“Continuaremos todos os dias a rezar a Santa Missa, a mencionar o nome do Santo Padre no cânon da missa e a rezar pelo senhor arcebispo de Brasília, conscientes de que somos católicos”, declarou.

A excomunhão foi confirmada pela Arquidiocese de Brasília após a ligação do padre e da Capela Santo Atanásio com a Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX), grupo tradicionalista que realizou a ordenação de quatro bispos sem autorização do papa Leão XIV. O Vaticano considerou o ato uma ruptura da comunhão com a Igreja, caracterizando um cisma.

Segundo a Arquidiocese de Brasília, Françoá Rodrigues Costa aderiu formalmente à fraternidade em abril de 2025 e, por esse motivo, estaria em situação de cisma e excomunhão. A instituição afirmou ainda que as missas e demais atividades realizadas na Capela Santo Atanásio são consideradas irregulares e orientou os fiéis a não frequentarem o local.

O padre, porém, contesta a decisão. Ele afirma que a Fraternidade São Pio X não rompeu com a Igreja Católica e que a desobediência ao papa não significa necessariamente um cisma.

“Concedamos que a fraternidade desobedeceu fortemente o papa. Pois bem, é uma desobediência grave, mas desobediência não é a mesma coisa que cisma”, afirmou.

Quem é o padre Françoá Rodrigues

Aos 47 anos, Françoá Rodrigues Costa foi ordenado sacerdote em 2004, em Anápolis (GO). Doutor em Teologia pela Universidade de Navarra, na Espanha, ele já atuou em paróquias de Goiás, Distrito Federal e Bahia, além de ter participado de missões no exterior.

O religioso também foi diretor da Faculdade Católica de Anápolis e da Capelania Universitária Santa Clara, além de ser autor de livros e artigos na área de Teologia.

Entenda o conflito

A Fraternidade Sacerdotal São Pio X reúne católicos tradicionalistas que defendem o retorno de práticas anteriores ao Concílio Vaticano II, como as missas em latim e mudanças na liturgia adotadas pela Igreja nas últimas décadas.

A nova crise começou após a ordenação de quatro bispos pela fraternidade em uma cerimônia realizada em Écône, na Suíça, sem autorização da Santa Sé. O Vaticano declarou que o ato foi cismático e informou que integrantes que aderirem formalmente ao grupo também podem ser considerados em situação de ruptura com a Igreja.

A FSSPX rejeita a decisão do Vaticano e afirma que as ordenações foram necessárias para garantir a continuidade de suas atividades religiosas. O grupo já havia enfrentado uma crise semelhante em 1988, quando seu fundador, Marcel Lefebvre, ordenou bispos sem autorização do então papa João Paulo II.