Teresina quinta-feira, 16 abril, 2026

OMS recomenda lenacapavir, aplicado duas vezes por ano, como nova alternativa injetável para prevenção do HIV

Novo medicamento injetável promete revolucionar a prevenção contra o vírus do HIV/Foto: Nardus Engelbrecht/AP

A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou na última segunda-feira (14) uma nova diretriz para a prevenção do HIV: a recomendação do lenacapavir, um medicamento injetável de longa duração que passa a ser oficialmente indicado como profilaxia pré-exposição (PrEP).

Com aplicação semestral – duas vezes por ano –  e eficácia comprovada em estudos clínicos, o lenacapavir se apresenta como uma alternativa inovadora às tradicionais pílulas diárias utilizadas até agora na prevenção do vírus.

Alta eficácia em estudos clínicos

A recomendação da OMS tem como base dados de estudos realizados em 2024, envolvendo 3.265 participantes de diferentes perfis. Dentre os voluntários que receberam o lenacapavir, apenas dois contraíram o HIV, o que representa uma eficácia de quase 100% na prevenção do vírus.

Em especial, um dos ensaios clínicos conduzido pela farmacêutica Gilead Sciences com mais de 2 mil mulheres cisgênero na Uganda e na África do Sul mostrou resultados tão positivos que foi interrompido antes do previsto, por ter alcançado os critérios máximos de eficácia.

A nova orientação surge em um contexto de estagnação global nos esforços de combate ao HIV. Em 2023, foram registradas cerca de 1,3 milhão de novas infecções em todo o mundo, número que preocupa especialistas da área de saúde pública.

A expectativa da OMS é que o lenacapavir represente um avanço estratégico para ampliar a prevenção, especialmente em populações vulneráveis e de difícil acesso aos métodos orais de PrEP.

Testes rápidos também ganham destaque

Além da recomendação do novo antirretroviral, a OMS também passou a defender o uso ampliado de testes rápidos para diagnóstico do HIV, como forma de tornar a testagem mais acessível e econômica, em substituição aos métodos laboratoriais mais caros e complexos.

A iniciativa foi celebrada pelo Unaids, programa conjunto da ONU para o enfrentamento da epidemia. Em comunicado, a entidade destacou que o uso do lenacapavir pode ser decisivo para acelerar o fim da Aids como ameaça à saúde pública até 2030, conforme prevê a Agenda 2030 da ONU.

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