
A recente mudança na forma de pagamento do vale-transporte dos funcionários do Mix Mateus, em Timon (MA), gerou uma onda de indignação e protestos nas redes sociais. O motivo é que, até então, o benefício — no valor médio de R$ 500 — era depositado diretamente na conta dos trabalhadores, que podiam escolher como utilizar o recurso. Com a nova política da empresa, o valor passou a ser creditado em um cartão exclusivo para uso no transporte público, o que revoltou parte dos colaboradores.
Segundo o ex-deputado federal Henrique Júnior, a alteração ignora a realidade de muitos funcionários que não dependem de ônibus. Alguns possuem motocicletas financiadas e utilizavam o valor do benefício para pagar as parcelas; outros mantêm contratos com mototaxistas, motoristas de aplicativo ou transportes alternativos, buscando mais segurança e agilidade no deslocamento.
“Essa mudança atingiu diretamente o bolso e a dignidade de quem trabalha todos os dias para sustentar a empresa. Muitos compraram suas motos e pagam as prestações com esse valor. Outros usam Uber, 99 ou mototáxi […], porque o transporte público de Timon é sucateado. Não há linhas na madrugada, falta acessibilidade e segurança”, destacou o ex-deputado federal Henrique Júnior, que tem acompanhado as denúncias.
Henrique Júnior também ressaltou que muitos colaboradores residem em zonas rurais e regiões afastadas, o que torna impraticável o uso exclusivo do transporte público. Segundo ele, mesmo enfrentando longas distâncias, esses trabalhadores sempre cumpriram suas funções, mas agora estão sendo obrigados a aceitar um sistema de vale-transporte que não condiz com sua realidade.
Demissões após resistência
De acordo com relatos de ex-funcionários, ao menos três trabalhadores foram demitidos nos últimos dias por se recusarem a aceitar a nova regra. A decisão da empresa tem sido vista como uma forma de retaliação contra quem busca esclarecimentos ou reivindica seus direitos.
“Ontem e anteontem, três ou quatro funcionários foram demitidos simplesmente porque se manifestaram em busca dos seus direitos. O Grupo Mateus tenta calar quem está na ponta, mas a mim não irão. Nós iremos até o fim”, afirmou o ex-deputado.
O ex-deputado anunciou que vai acionar o Ministério Público, a Vara do Trabalho e a OAB para investigar as demissões e a imposição do novo modelo de benefício.
O outro lado
Até o momento, o Grupo Mateus não se manifestou oficialmente sobre as denúncias nem sobre as demissões de funcionários que contestaram a mudança no vale-transporte.
Enquanto isso, a polêmica continua crescendo nas redes sociais, onde vários ex-funcionários do Mix Mateus têm relatado casos semelhantes e cobrado uma posição mais sensível da empresa diante da realidade dos trabalhadores de Timon.



