
O Ministério Público do Piauí acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) para garantir a realização da audiência de julgamento de Alandilson Cardoso Passos, namorado da vereadora Tatiana Medeiros (PSB), acusado de lavagem de dinheiro e ocultação de bens. A audiência, que estava prevista para ocorrer em 2 de outubro, foi suspensa após a defesa de outro réu, Erisvaldo Cruz da Silva, impetrar habeas corpus questionando a legalidade de um relatório do COAF utilizado como prova no processo.
Segundo a defesa, o Relatório de Inteligência Financeira (RIF) teria sido obtido diretamente do COAF sem autorização judicial, o que, segundo eles, tornaria todas as provas decorrentes do documento ilícitas. Em razão da controvérsia, a Justiça do Piauí suspendeu a audiência de Alandilson e dos demais réus até que instâncias superiores se pronunciem.
O recurso do Ministério Público, apresentado pela 20ª Procuradoria de Justiça do Estado, foi recebido pelo STF no dia 1º de outubro e será analisado pela 2ª Turma, sob relatoria do ministro Gilmar Mendes. A procuradora de Justiça Zélia Saraiva Lima, autora do recurso, afirmou que o Tribunal de Justiça do Piauí agiu de forma contraditória ao reconhecer a repercussão geral do caso, mas excluir as provas essenciais do processo.
Alandilson Cardoso Passos foi preso em 2024, acusado de integrar uma facção criminosa em Teresina e de associação com o tráfico de drogas. Ele também é apontado por ter financiado a candidatura de Tatiana Medeiros com recursos supostamente ilícitos. Ao todo, ele e mais 15 pessoas respondem na Justiça por crimes como lavagem de dinheiro, corrupção, ocultação de bens e crimes contra a administração pública.



