Teresina quinta-feira, 26 fevereiro, 2026

Metanol: crise completa um mês com alerta para falsificação de bebidas

Trinta dias após os primeiros registros de suspeita de intoxicação por metanol em bebidas alcoólicas, o país ainda acompanha as consequências de uma grave adulteração que resultou em 58 casos confirmados e 15 mortes. A maior parte dos óbitos ocorreu em São Paulo, mas estados como Paraná e Pernambuco também registraram vítimas.

As investigações apontam que a contaminação ocorreu devido à falsificação de bebidas que utilizavam álcool combustível adulterado, contendo metanol em concentrações muito acima do permitido. Segundo o Instituto de Criminalística da Polícia Científica de São Paulo, os exames confirmaram que o álcool não foi resultado de processo natural de destilação, mas sim adicionado de forma deliberada.

Desde o primeiro alerta do Centro de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox) de Campinas, em 26 de setembro, ações integradas envolveram vigilância sanitária, polícia e hospitais pólo, mesmo em estados ainda sem casos confirmados. O Serviço de emergência foi reforçado com a distribuição de etanol farmacêutico e do antídoto fomepizol, permitindo atendimento rápido às vítimas.

A resposta coordenada incluiu também a implementação de novos protocolos de análise de bebidas adulteradas, agilizando a identificação de lotes contaminados. Pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) desenvolveram o “nariz eletrônico”, capaz de detectar metanol a partir de apenas uma gota da bebida, ajudando a prevenir novos casos.

Operações policiais localizaram os dois postos de combustíveis que forneceram o álcool adulterado e a distribuidora responsável pelo envasamento das bebidas. “O primeiro ciclo foi fechado. Vamos continuar as diligências para identificar a origem de todas as bebidas adulteradas no estado”, afirmou o delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Artur Dian.

Apesar das medidas, o impacto no comércio ainda é perceptível. Segundo a Abrasel, o consumo de bebidas caiu até 5% em setembro. O alerta também chegou ao legislativo: na capital paulista, uma CPI será instalada para investigar o caso, e na Câmara dos Deputados pode entrar em pauta o PL 2307/07, que propõe tornar crime hediondo a adulteração de alimentos e bebidas.

O boletim mais recente, divulgado em 24 de outubro, confirma 58 casos, com 50 em investigação, 15 mortes confirmadas e nove óbitos ainda em apuração. Foram descartadas 635 notificações de intoxicação e 32 notificações de óbitos anteriormente investigadas.

Informações da Agência Brasil

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