Teresina terça-feira, 10 março, 2026

Laudo de exumação confirma politraumatismo como causa da morte de músico, mas lapso temporal impede identificação de disparo

O perito-geral da Polícia Científica do Piauí, Antônio Nunes, confirmou que o laudo da exumação do músico Carlos Henrique de Araújo Rocha, morto em maio de 2024, aponta politraumatismo como causa da morte. O documento foi concluído após nova análise pericial autorizada pela Justiça Militar, a pedido da família, que buscava esclarecer suspeitas de que o artista pudesse ter sido atingido por um tiro durante o acidente.

Carlos estava como passageiro em um carro de aplicativo quando o veículo foi atingido por outro automóvel que fugia de abordagem policial na zona Leste de Teresina. Após o impacto, testemunhas relataram que o músico saiu do carro e correu por alguns metros antes de cair.

Exumação ocorreu 1 ano e 4 meses após a morte

A exumação foi realizada em outubro de 2025, mais de um ano após o acidente. Segundo o laudo, o corpo já estava em estado avançado de decomposição, chegando à fase de esqueleto devido ao longo intervalo entre a morte e o procedimento pericial.

A perícia concluiu que Carlos morreu em decorrência de politraumatismo, com lesões graves na cabeça, tórax, abdômen e pé direito, resultando em choque hipovolêmico — perda intensa de sangue que leva à falência do organismo.

Durante o procedimento, os peritos recolheram dois materiais biológicos para eventual análise futura: um fragmento da calota craniana e o quinto dedo do pé direito

Os vestígios estão armazenados no Instituto Médico Legal de Teresina.

Perícia inicial não apontava disparo de arma de fogo

Questionado sobre a hipótese de tiro levantada por familiares, o perito-geral afirmou que os laudos feitos logo após o acidente já descartavam essa possibilidade.

“Não houve tiro. Isso já havia sido apresentado nos outros laudos, que também apontaram a mesma coisa. Até hoje, não sei de onde surgiu essa versão de que ele teria sido baleado. As perícias anteriores estavam corretas”, disse Antônio Nunes.

Apesar disso, o laudo da exumação afirma que, devido ao estado do corpo, não é possível confirmar nem descartar completamente lesões causadas por arma de fogo:

“Sem elementos de convicção devido ao lapso temporal entre a data da morte e a data de exumação.”

Família mantém dúvidas e aponta contradições

A defesa da família afirma que existem elementos que levantam dúvidas sobre a versão oficial. O advogado Lucas Ribeiro cita perfurações no crânio, relatos de testemunhas e registros do SAMU como motivos para aprofundar as investigações.

“Há testemunhas que relatam que o Carlos saiu do carro e correu. E, no momento em que ele estava correndo, ouviram o disparo. Além disso, há um relatório do SAMU informando que o corpo apresentava indícios de ferimento por arma de fogo. Esses detalhes precisam ser apurados com rigor científico”, afirmou em entrevista anterior.

Ele também mencionou vídeos que, segundo a família, contradizem a tese de que o músico foi arremessado na direção onde o corpo foi encontrado.

A defesa disse que só irá se manifestar publicamente após ter acesso oficial ao novo laudo.

Relembre o laudo divulgado em 2024

O primeiro documento pericial apontava que Carlos foi lançado para fora do veículo a aproximadamente 75 km/h, percorrendo mais de 20 metros antes de cair no solo, sofrendo múltiplas fraturas. A análise inicial também negava sinais de perfuração por arma de fogo.

Carlos Henrique tinha 32 anos e era figura conhecida na cena musical piauiense. Baixista e professor de música, ele tocava com artistas locais, participava de bandas e também ministrava aulas. 

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