
A Justiça do Piauí determinou que Francisco de Assis Pereira da Costa e Maria dos Aflitos da Silva sejam levados a julgamento pelo Tribunal do Júri, acusados de um dos crimes mais chocantes já registrados em Parnaíba, no litoral do estado. O casal é apontado como responsável por envenenar e matar oito pessoas, sendo sete da própria família e uma vizinha, além de tentar assassinar outras três vítimas.
A decisão foi assinada pelo juiz Willmann Izac Ramos Santos, da 1ª Vara Criminal de Parnaíba, que entendeu haver provas da materialidade dos crimes e indícios suficientes de autoria. O magistrado também decidiu manter a prisão preventiva dos acusados, que seguem detidos desde janeiro deste ano.
Três ataques em série com “chumbinho”
De acordo com a denúncia do Ministério Público, os crimes ocorreram em três datas distintas, entre agosto de 2024 e janeiro de 2025, todos no Conjunto Dom Rufino II, na zona urbana de Parnaíba. O casal teria utilizado o terbufós, substância tóxica conhecida como “chumbinho”, para misturar aos alimentos e bebidas das vítimas.
- 22 de agosto de 2024: O veneno teria sido colocado em um suco consumido por duas crianças: Ulisses Gabriel Silva, de 8 anos, e João Miguel Silva, de 7 anos. Ambos morreram por intoxicação.
- 1º de janeiro de 2025: Novo envenenamento resultou na morte de cinco pessoas da mesma família: Manoel Leandro da Silva, Igno Davi Silva, Maria Lauane Fontinele Lopes Silva, Francisca Maria Silva e Maria Gabriele Silva. Outras três sobreviveram: Maria Jocilene Silva, Jhonatan Nalber Pereira da Silva e Lívia Maria Leandra Silva.
- 22 de janeiro de 2025: A Justiça aponta que Maria dos Aflitos teria envenenado novamente Maria Jocilene Silva, uma das sobreviventes do episódio anterior, provocando sua morte.
Além dos homicídios e tentativas, o casal foi pronunciado pelos crimes de fraude processual e denunciação caluniosa. As investigações apontam que eles tentaram culpar falsamente uma vizinha, Lucélia Maria da Conceição Silva, pela sequência de envenenamentos.
A falsa acusação levou Lucélia a ser presa preventivamente por cinco meses, período em que teve sua casa destruída por populares revoltados com o caso. Posteriormente, a Justiça reconheceu sua inocência e determinou sua libertação, após comprovar que ela não teve qualquer envolvimento nas mortes. A defesa de Lucélia já anunciou que ingressará com uma ação de indenização por danos morais contra o Estado.
Defesa e novos desdobramentos
Durante a fase de instrução, Francisco e Maria dos Aflitos negaram as acusações. A defesa do réu Francisco chegou a pedir um exame de sanidade mental, mas o laudo concluiu que ele é plenamente capaz de entender seus atos.
O advogado Herbert Assunção, que representa Francisco, argumenta que seu cliente também teria sido vítima, alegando que exames detectaram a mesma substância tóxica em seu organismo. Apesar disso, o pedido de soltura foi negado, e ele segue preso desde 8 de janeiro de 2025.
O caso, que comoveu o Piauí e ganhou repercussão nacional, seguirá agora para o júri popular, onde o casal poderá responder por oito homicídios qualificados, três tentativas de homicídio, fraude processual e denunciação caluniosa.




