
A Justiça Eleitoral determinou a soltura do vereador de Teresina Valdemir Virgino e de seu assessor, Renato Lucas Vieira da Silva, que estavam presos desde sábado (3), após uma operação da Polícia Federal que apura suspeita de compra de votos e associação criminosa.
A decisão foi tomada pela juíza Keylla Ranyere Lopes Procópio, do Tribunal Regional Eleitoral do Piauí (TRE-PI), e substituiu a prisão preventiva por medidas cautelares.
Valdemir foi preso em flagrante em uma clínica localizada no Centro de Teresina, onde, conforme as informações do caso, foram apreendidos cerca de R$ 40 mil em dinheiro, material de propaganda eleitoral e anotações relacionadas a eleitores. Ao todo, 18 pessoas foram presas durante a ação, mas somente o vereador e o assessor tiveram a prisão preventiva decretada.
A investigação começou após policiais abordarem dois motociclistas que estavam com dinheiro. Eles teriam informado que os valores haviam sido recebidos na clínica ligada ao vereador. Os policiais foram até o local e realizaram a abordagem.
Na decisão, a magistrada considerou que, após a realização da votação, não permanecia com a mesma intensidade o risco relacionado à liberdade dos investigados e à regularidade do processo eleitoral. A juíza também apontou que não havia elementos concretos indicando que os investigados poderiam voltar a praticar compra de votos, destruir provas, ameaçar testemunhas ou interferir nas investigações.
Apesar da soltura, Valdemir e o assessor deverão cumprir medidas cautelares. Eles estão proibidos de manter contato entre si e com os outros 16 investigados que foram liberados mediante fiança. Também não poderão deixar a comarca sem autorização judicial.
A defesa de Valdemir nega as acusações e sustenta que não houve flagrante de compra de votos. Os advogados também questionam a entrada dos policiais na clínica e a validade de parte das provas apreendidas.
A decisão que determinou a soltura não encerra a investigação. Questões relacionadas à legalidade das buscas, às apreensões e à possível configuração do crime de associação criminosa ainda serão analisadas pela Justiça Eleitoral.



