
A Justiça autorizou a quebra de sigilo do telefone celular de José Felipe da Cunha, investigado por suspeita de lavagem de dinheiro após ser flagrado com cerca de R$ 1 milhão em espécie em Teresina. O aparelho havia sido apreendido durante a operação realizada pela Polícia Federal, que resultou na prisão do suspeito. Apesar da detenção, ele foi colocado em liberdade após audiência de custódia realizada no sábado (20).
De acordo com a decisão judicial, existem indícios suficientes para justificar o acesso ao conteúdo do celular, que pode conter informações relevantes para esclarecer a origem e o destino dos recursos apreendidos, além de auxiliar na identificação de possíveis participantes do esquema investigado.
O magistrado destacou que a apreensão de uma quantia elevada em dinheiro logo após um saque bancário, somada ao registro de movimentações consideradas atípicas, reforça a suspeita da prática de lavagem de dinheiro. Por isso, foi autorizada a extração e análise completa dos dados armazenados no aparelho.
A medida permite o desbloqueio do celular e o acesso a informações de aplicativos como WhatsApp, Facebook e Instagram, além de registros de chamadas, mensagens de texto, fotografias, vídeos, áudios e e-mails. O material obtido também poderá ser compartilhado com outras autoridades e utilizado em investigações relacionadas.
Saques chamaram atenção da investigação
Segundo a Polícia Federal, o investigado havia solicitado, um dia antes da prisão, a liberação de valores para realizar três saques de grandes quantias. Após a solicitação, feita na quinta-feira (18), o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) encaminhou um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) à PF.
O documento apontava que os recursos estavam vinculados a três empresas e apresentavam incompatibilidade com a capacidade financeira declarada pelo investigado, levantando suspeitas sobre a origem dos valores.
Ainda conforme a PF, a retirada de grandes somas em espécie poderia ter como objetivo ocultar a procedência dos recursos, prática frequentemente associada a esquemas de lavagem de dinheiro. O Coaf também informou que o homem já havia sido alvo de comunicações semelhantes anteriormente, fator que contribuiu para a decisão de efetuar a prisão.
Prisão ocorreu após saída de agência bancária

José Felipe da Cunha foi abordado por agentes da Polícia Federal logo após deixar uma agência localizada no Centro de Teresina. Com ele, os policiais encontraram uma mochila contendo maços de dinheiro em cédulas de R$ 50, R$ 100 e R$ 200. O próprio investigado informou que a quantia totalizava R$ 1 milhão.
Após a abordagem, o dinheiro foi apreendido e o celular recolhido para análise. Dois homens acompanhavam o empresário no momento da ação policial, entre eles um policial militar e um motorista. No entanto, a investigação não encontrou elementos que indicassem participação deles na movimentação financeira.
Durante a audiência de custódia, realizada no dia seguinte à prisão, a Justiça determinou a soltura do investigado mediante o cumprimento de medidas cautelares. Entre as restrições impostas estão a proibição de se ausentar da comarca por mais de 15 dias sem autorização prévia, a obrigação de comparecer a todos os atos processuais e a vedação de contato com o policial militar e o motorista que estavam com ele no momento do saque.
Com informações do g1 Piauí e policia federal



