
A jovem Emiliane Tamara Nunes Carvalho, de 24 anos, que foi encontrada amordaçada e acorrentada a uma cama após passar cinco dias em cativeiro, havia procurado a Justiça neste ano para pedir medidas protetivas contra o ex-companheiro. O pedido, no entanto, foi negado.
Tamara foi resgatada na sexta-feira (21), em Águas Lindas de Goiás, no Entorno do Distrito Federal. O principal suspeito, Ailton Rodrigues Mendes, foi preso em flagrante e teve a prisão convertida em preventiva após audiência de custódia.
Segundo a delegada Tamires Teixeira, da Delegacia da Mulher de Águas Lindas de Goiás, a jovem já havia solicitado medidas protetivas em 2020, após relatar ameaças. Na época, a Justiça concedeu a proteção, mas o casal reatou o relacionamento e o processo acabou arquivado.
Em 2026, Tamara voltou a denunciar o ex-companheiro e relatou episódios que, segundo ela, indicavam perseguição. Entre as situações mencionadas estavam a retirada de um parafuso do pneu do carro e pichações no muro da residência.
Em outro episódio, a jovem procurou a polícia após sofrer queimaduras pelo corpo depois de abrir o chuveiro. Uma amostra da água foi recolhida e encaminhada para perícia.
Apesar das denúncias, o novo pedido de medidas protetivas foi negado pela Justiça. De acordo com o Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO), naquele momento não havia elementos suficientes que permitissem estabelecer uma relação entre os crimes relatados e o ex-companheiro.
A delegada afirmou que o suspeito teria agido de maneira planejada para dificultar a identificação de sua participação nos episódios denunciados.
Jovem foi mantida em cativeiro por cinco dias
O desaparecimento de Tamara foi comunicado pela família na segunda-feira (17). Segundo a Polícia Militar, ela havia sido vista por uma câmera de segurança saindo de uma clínica no bairro Jardim Barragem I.
As buscas levaram os policiais até o local onde a jovem estava mantida. Durante o resgate, ela foi encontrada amordaçada e acorrentada a uma cama.
Segundo a Polícia Civil, Ailton confessou ter dopado a ex-companheira com medicamentos antidepressivos e levado a vítima para o cativeiro.
No imóvel, os policiais também encontraram uma carta assinada por Tamara e destinada à família. A investigação aponta que o documento teria sido assinado pela jovem sob imposição do ex-companheiro.
O suspeito deve responder pelos crimes de sequestro e porte ilegal de arma de fogo. A investigação continua para esclarecer todas as circunstâncias do caso.
Em nota, a defesa de Ailton afirmou que o inquérito ainda está em andamento e que considera prematura qualquer manifestação conclusiva sobre o mérito das acusações.
O TJGO informou que as decisões tomadas no processo foram proferidas por autoridades judiciais competentes, com base nos elementos disponíveis em cada momento e em observância à Lei Maria da Penha e ao devido processo legal.



