Teresina quarta-feira, 17 junho, 2026

Irã lança centenas de mísseis contra Israel em retaliação a ataques a instalações nucleares

O clima de guerra se intensificou no Oriente Médio na noite desta sexta-feira (horário local), após o Irã lançar centenas de mísseis balísticos contra Israel, em resposta aos ataques israelenses que atingiram instalações nucleares e eliminaram comandantes militares iranianos.

Sirenes de alerta soaram em Tel Aviv e Jerusalém, e explosões foram ouvidas em várias regiões, de acordo com o porta-voz militar de Israel. A ofensiva iraniana ocorre dias após o que foi descrito como o maior ataque israelense já realizado contra o Irã, que teria destruído parte da instalação nuclear subterrânea em Natanz e matado altos oficiais militares iranianos.

Segundo a agência estatal iraniana IRNA, os disparos são parte de uma retaliação direta à “Operação Leão em Ascensão”, deflagrada por Israel. O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, acusou o governo israelense de iniciar a guerra.

Alvo: instalações nucleares e lideranças

Além de Natanz, Israel também teria atingido a instalação de Isfahan e alvos nas regiões de Fordow e nos arredores de Teerã. As defesas aéreas foram ativadas na capital iraniana, e explosões foram relatadas ao norte e sul da cidade. A mídia iraniana mostrou imagens de prédios destruídos e relatou a morte de pelo menos 80 civis e mais de 300 feridos.

Fontes regionais informaram que cerca de 20 generais iranianos foram mortos, incluindo o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Major-General Mohammad Bagheri, e o comandante da Guarda Revolucionária, Hossein Salami. O Major-General Mohammad Pakpour foi rapidamente nomeado para substituí-lo e prometeu retaliação:

“As portas do inferno se abrirão para o regime que mata crianças”, afirmou em carta lida na TV estatal.

Reações internacionais

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que ainda é possível retomar um acordo nuclear e tentou convencer o Irã a interromper os ataques.

“Tentei salvar o Irã da humilhação e da morte. Eles ainda podem fazer um acordo. Não é tarde demais”, disse em entrevista à Reuters.
Em publicação no Truth Social, Trump acrescentou:
“O Irã precisa fazer um acordo, antes que não reste mais nada.”

Autoridades israelenses, por sua vez, defendem a continuidade da ofensiva. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu declarou que os ataques visam eliminar uma ameaça existencial:

“Nossa geração agiu a tempo e garantiu nosso futuro. Esta operação continuará por quantos dias forem necessários.”

O assessor de Segurança Nacional de Israel, Tzachi Hanegbi, reconheceu que os bombardeios por si só não eliminarão o programa nuclear iraniano, mas podem “criar condições para um acordo de longo prazo”, liderado pelos EUA.

Tensão entre civis e impacto global

No Irã, o clima é de medo e incerteza. Muitos moradores relataram pânico e tentativas de deixar o país.

“As pessoas da minha rua saíram correndo em pânico, estávamos todos aterrorizados”, contou Marziyeh, de 39 anos, que vive perto de Natanz.
Enquanto alguns esperam mudanças no regime, outros demonstram apoio incondicional.
“Lutarei e morrerei pelo nosso direito a um programa nuclear”, afirmou Ali, membro da milícia pró-governo Basij, em Qom.

A capacidade de retaliação do Irã por meio de aliados regionais está enfraquecida, após perdas estratégicas no Líbano, Síria e Gaza. Mesmo assim, um míssil disparado do Iêmen, por milícias Houthi, caiu em Hebron, na Cisjordânia ocupada, ferindo três crianças, segundo o Crescente Vermelho Palestino.

O aumento da tensão elevou os preços do petróleo no mercado internacional, apesar de não haver registro de danos a instalações de produção. A OPEP declarou que a escalada ainda não justifica mudanças no fornecimento global.

Enquanto isso, a ONU confirmou que o Irã vem violando suas obrigações no tratado de não proliferação nuclear, reforçando os temores de que o país esteja se aproximando da capacidade de desenvolver armas atômicas.

Fonte: Agência Brasil – Imagem: Agência de Notícias da republica Islâmica.