
O promotor Márcio Normando, do Ministério Público do Piauí (MPPI), apontou que as investigações da Polícia Federal revelaram semelhanças entre o funcionamento do Instituto Vamos Juntos — administrado pela vereadora Tatiana Medeiros — e o modus operandi de organizações criminosas que atuam em outros estados, especialmente no Maranhão. Segundo ele, a entidade social teria sido utilizada para cooptar eleitores por meio da distribuição de benefícios.
“Verificou-se que existia indícios muito robustos da participação de Alandilson com a vereadora, com isso a Polícia Federal iniciou a investigação e com base nesses elementos foram pedidos afastamento de sigilo bancário, busca e apreensão que ensejou a operação Escudo Eleitoral no final de dezembro de 2024. Com base nessas provas que o Ministério Público Eleitoral ofereceu a denúncia essa que está aqui hoje”, disse o promotor.
O instituto foi alvo da Operação Escudo Eleitoral, deflagrada pela Polícia Federal em dezembro de 2024. Na ocasião, agentes cumpriram mandados de busca e apreensão na sede da ONG e em outro endereço, onde foram encontrados R$ 100 mil em espécie.
Depoimentos e indícios apresentados
Durante as oitivas realizadas no julgamento da parlamentar, algumas testemunhas afirmaram ter recebido ajuda financeira da instituição em troca de voto. Outras, porém, negaram qualquer prática ilícita e disseram atuar no local apenas de forma voluntária.
O promotor destacou que, para o MP, o dinheiro que circulava no instituto teria origem no crime organizado. Além disso, apontou que o namorado da vereadora, Alandilson Cardoso, já era investigado pela Polícia Civil por envolvimento em atividades criminosas, fator que reforçou o cruzamento das investigações entre PF e PC-PI.
Questionamento sobre provas
A defesa da vereadora contesta a legalidade de parte do material utilizado na investigação, especialmente um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) do COAF, que, segundo a defesa, teria sido obtido sem autorização judicial. Enquanto o STJ entende que o uso do relatório exige decisão judicial, o STF considera que o documento pode ser compartilhado livremente com órgãos de investigação.
O promotor Normando afirmou que a estratégia da defesa deve ser recorrer ao STJ, onde o entendimento é mais favorável à anulação das provas. Ainda assim, destacou que o Ministério Público já recorreu contra a decisão que havia invalidado parte do material e que, até o julgamento do recurso, todas as provas continuam válidas.
Processo segue em andamento
Com o recurso pendente e o julgamento em curso, o MPPI se diz confiante na manutenção da jurisprudência do STF e na continuidade regular do processo. As acusações contra Tatiana Medeiros e Alandilson Cardoso incluem suspeita de compra de votos e associação com atividades ligadas ao crime organizado.



