
O Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC) da Polícia Civil do Piauí indiciou quatro influenciadores digitais por suspeita de participação em um esquema de apostas ilegais online, movimentação financeira suspeita e lavagem de dinheiro. A ação faz parte da Operação Jogo Sujo III, deflagrada em 25 de setembro em Teresina.
Os indiciados são: Maria Vitória Silva de Sousa Lima (DJ Latina Gold), seu companheiro Domingos da Silva Ferreira (DJ Loboox), Nayanna da Silva Fonseca e Nathalya Thercia Carlos Ribeiro. Eles são investigados pelos crimes de organização criminosa, exploração de jogos de azar, lavagem de dinheiro e indução de consumidor a erro.
Segundo a investigação, os influenciadores promoviam aplicativos de apostas ilegais, como o popular “jogo do tigrinho”, por meio de redes sociais, incentivando seguidores a se cadastrarem em plataformas por links personalizados. Em troca, recebiam comissões, bonificações e vantagens de luxo, como carros, viagens internacionais e pagamentos mensais.
O inquérito aponta que o grupo ostentava bens de alto valor para criar a ilusão de ganhos fáceis, induzindo seguidores ao erro. A estrutura criminosa contava com divisão de funções e conexão com operadores estrangeiros, sendo empresários chineses apontados como donos das plataformas ilegais.
Um relatório do COAF revelou movimentações financeiras suspeitas superiores a R$ 30 milhões, feitas por meio de fintechs e empresas interpostas. Entre os destaques:
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Maria Vitória (DJ Latina Gold) movimentou mais de R$ 14 milhões entre 2023 e 2024, incluindo transferências a Domingos e empresas ligadas a apostas.
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Domingos da Silva Ferreira recebeu cerca de R$ 335 mil, principalmente da companheira, utilizando movimentações circulares para ocultar a origem do dinheiro.
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Nayanna Fonseca movimentou R$ 9,2 milhões e criou empresas em nome de terceiros, sugerindo uso de empresas de fachada.
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Nathalya Thercia movimentou quase R$ 5 milhões em seis meses, vinculando recursos a fintechs envolvidas com apostas ilegais.
Os autos do inquérito foram encaminhados ao Ministério Público do Piauí, que analisará o oferecimento de denúncia formal à Justiça. Caso o processo avance, os investigados poderão enfrentar mais de 20 anos de prisão, além de multa e perda de bens adquiridos com recursos ilícitos.



