Teresina sexta-feira, 10 abril, 2026

Influenciadoras são alvo de operação contra jogos ilegais e têm mais de R$ 2 milhões bloqueados no litoral do Piauí

Foto/imagem: SSP-PI

A Secretaria de Segurança Pública do Piauí deflagrou, na manhã desta sexta-feira (10), a Operação Laverna 4, no município de Parnaíba, com o objetivo de combater crimes relacionados à divulgação de jogos de azar, lavagem de dinheiro e estelionato contra consumidores.

A ação, realizada de forma integrada entre as polícias Civil e Militar, teve como alvo duas influenciadoras digitais identificadas pelas iniciais B.M.C. e D.C.M., investigadas desde 2024. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em imóveis ligados às suspeitas, além da aplicação de medidas cautelares autorizadas pela Justiça.

De acordo com as investigações, as influenciadoras utilizavam redes sociais para promover plataformas ilegais de apostas, rifas virtuais e jogos de azar, incluindo o conhecido “jogo do tigrinho”. A estratégia incluía ostentação de bens, promessas de lucros rápidos e divulgação de supostos ganhos para atrair seguidores e induzir o público ao erro.

Ainda segundo a polícia, as suspeitas mantinham grupos de mensagens para captar apostadores, compartilhar links e direcionar usuários para plataformas clandestinas. Há indícios de manipulação de resultados e uso de contas simuladas para dar aparência de veracidade aos lucros divulgados.

As apurações também revelaram movimentações financeiras consideradas incompatíveis com as rendas declaradas. Uma das investigadas teria movimentado mais de R$ 1,1 milhão em 14 contas bancárias, enquanto a outra ultrapassou R$ 1 milhão em 9 contas distintas.

Além disso, foram identificados sinais de ocultação de patrimônio, como uso de terceiros para registro de bens, empresas com baixa atividade aparente e fragmentação de valores para dificultar o rastreamento.

Durante o cumprimento dos mandados, foram apreendidos celulares, computadores, documentos, mídias digitais, dinheiro em espécie e itens de alto valor, como joias. A Justiça também determinou o bloqueio de ativos financeiros das investigadas, que ultrapassa R$ 2 milhões, e autorizou a quebra de sigilo dos dispositivos apreendidos.

SSP-PI

A decisão judicial incluiu ainda a suspensão imediata da divulgação de jogos de azar e a retirada, no prazo de 24 horas, de conteúdos relacionados às práticas ilícitas nas redes sociais das investigadas.

Em um dos locais vistoriados, equipes encontraram 26 galos em situação de maus-tratos, caracterizando prática de rinha. Um homem foi conduzido à delegacia e deverá responder por crime ambiental.

Segundo o delegado Ayslan Magalhães, a operação identificou um esquema estruturado que utilizava forte apelo nas redes sociais para enganar seguidores. Já o superintendente de Operações Integradas, delegado Matheus Zanatta, destacou o uso de inteligência policial no combate a crimes digitais e financeiros.

Foto:imagem: SSP-PI

As investigações seguem em andamento, e a polícia não descarta a participação de outros envolvidos no esquema.