Teresina segunda-feira, 6 julho, 2026

Hospital São Marcos afirma precisar de reforço de R$ 4 milhões por mês para retomar novos atendimentos oncológicos

Referência no tratamento de câncer no Piauí, unidade suspendeu a entrada de novos pacientes do SUS e diz enfrentar grave subfinanciamento.

Hospital São Marcos pede complementação de mais de R$ 50 milhões por ano para manter atendimentos oncológicos - (Reprodução/HSM)
Reprodução/HSM

O Hospital São Marcos, em Teresina, informou nesta segunda-feira (6) que necessita de um reforço financeiro de aproximadamente R$ 4 milhões por mês, além dos recursos atualmente repassados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), para retomar a admissão de novos pacientes oncológicos. Segundo a direção da instituição, os valores recebidos atualmente são insuficientes para cobrir os custos dos atendimentos.

A declaração foi feita durante uma coletiva de imprensa, dias após o hospital anunciar a suspensão temporária da entrada de novos pacientes com câncer atendidos pelo SUS. A medida, conforme a instituição, foi motivada pelo agravamento da crise financeira enfrentada pela unidade.

De acordo com o diretor técnico do hospital, Marcelo Martins, o problema não está relacionado à administração da instituição, mas ao subfinanciamento dos serviços prestados.

“O São Marcos passa por dificuldades financeiras por subfinanciamento, não por excesso de custos”, afirmou.

Referência em oncologia no estado

Mantido pela Associação Piauiense de Combate ao Câncer, o Hospital São Marcos é responsável por mais de 90% dos atendimentos oncológicos realizados no Piauí e por praticamente 100% dos casos de câncer infantil no estado. A unidade conta com 100 leitos exclusivos para pacientes do SUS.

Entre maio de 2025 e abril de 2026, o hospital realizou cerca de 59 mil sessões de quimioterapia, média de quase 5 mil por mês, além de 2.039 sessões de radioterapia, 5.524 internações oncológicas, 39.823 consultas especializadas e mais de 192 mil procedimentos ambulatoriais.

Segundo a direção, esse volume demonstra que a instituição sustenta grande parte da assistência oncológica de alta complexidade no estado.

Comparação com outros hospitais

Durante a apresentação, a direção comparou o financiamento recebido pelo São Marcos com o de outras instituições de referência no país. Conforme os dados apresentados, o Hospital Oncológico Infantil do Pará recebe cerca de 4,5 vezes o valor da tabela do SUS por paciente atendido, enquanto o AC Camargo Câncer Center, em São Paulo, recebe aproximadamente 3,9 vezes esse valor.

Já o Hospital São Marcos afirma receber apenas 1,1 vez o valor da tabela do SUS, índice considerado inferior ao de outras unidades especializadas.

Segundo a instituição, mesmo com a complementação solicitada — estimada em R$ 50,4 milhões por ano — o hospital alcançaria uma remuneração equivalente a 1,7 vez a tabela do SUS, permanecendo abaixo da maior parte dos hospitais oncológicos do país.

Crise financeira e suspensão de novos atendimentos

Atualmente, o hospital recebe cerca de R$ 6 milhões mensais por meio da tabela do SUS e um complemento de R$ 900 mil por mês da Secretaria de Estado da Saúde (Sesapi). De acordo com a direção, os valores não acompanham os custos da assistência prestada.

Para manter o funcionamento da unidade, o hospital informou que precisou vender um precatório de R$ 33 milhões para quitar dívidas com fornecedores e contratar empréstimos superiores a R$ 20 milhões. Segundo a instituição, a situação financeira chegou a provocar atraso no tratamento de mais de mil pacientes ao longo do ano passado.

A suspensão da entrada de novos pacientes foi adotada, segundo Marcelo Martins, para garantir a continuidade do tratamento daqueles que já estão em acompanhamento.

“Estamos fazendo um esforço gigantesco para tentar ter condições de manter o atendimento das pessoas que já estão aqui”, destacou.

O diretor também alertou que um eventual colapso da unidade comprometeria significativamente a assistência oncológica no Piauí, já que, segundo ele, nenhuma outra estrutura do estado possui capacidade para absorver toda a demanda atualmente atendida pelo Hospital São Marcos.

Gestores buscam solução

A Fundação Municipal de Saúde (FMS) e a Secretaria de Estado da Saúde (Sesapi) foram comunicadas sobre a situação. Conforme informou o hospital, representantes dos dois órgãos reconheceram, durante reuniões técnicas, que os recursos atualmente disponíveis são insuficientes para manter o serviço.

A presidente da FMS, Leopoldina Cipriano, informou que o município busca, junto ao Ministério da Saúde, um reforço financeiro de R$ 90 milhões para os serviços de oncologia de Teresina.

Enquanto não há definição sobre novos recursos, os pacientes que precisarem iniciar tratamento contra o câncer deverão ser encaminhados ao Hospital Getúlio Vargas (HGV) e ao Hospital Universitário (HU).