
A comunidade científica internacional está em estado de alerta diante da rápida disseminação da gripe aviária H5N1, uma cepa altamente patogênica que pode representar risco real de se tornar a próxima pandemia global. O vírus, que já circula há meses em diversos países, foi identificado pela primeira vez em aves comerciais no Brasil na última semana, provocando impacto direto nas exportações do setor avícola.
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou, em 16 de maio, a presença do vírus em uma granja no Rio Grande do Sul, especializada na produção de ovos férteis para frangos. Até então, o vírus havia sido registrado apenas em aves silvestres e de subsistência em território brasileiro. Como reflexo imediato, países como China, Argentina e membros da União Europeia suspenderam temporariamente as importações de carne de frango brasileira.
Leia também:
Especialistas afirmam que o mundo pode estar ignorando sinais cruciais. A gripe aviária já foi detectada em todos os continentes, exceto na Oceania, e tem se espalhado rapidamente entre mamíferos, incluindo rebanhos leiteiros nos Estados Unidos — um ponto crítico, já que esses animais mantêm contato próximo com humanos.
Segundo Caitlin Rivers, epidemiologista da Universidade Johns Hopkins, a falha na vigilância e na resposta precoce ao surto, tanto na gestão Trump quanto na de Joe Biden, pode ter permitido que o vírus evoluísse silenciosamente. A gripe já infectou dezenas de espécies de mamíferos e registrou ao menos 70 casos humanos no mundo, com uma morte confirmada.
Apesar de o H5N1 ainda não apresentar transmissão sustentada entre humanos, a rápida adaptação do vírus entre espécies é motivo de grande preocupação. O professor Kamran Khan, da Universidade de Toronto, alerta: “Se continuarmos dando espaço para o vírus evoluir, é possível que o surto atual seja o gatilho de uma nova pandemia.”
Vacinação de animais e humanos
Países como China, França, Índia e México já adotam vacinação de aves há anos, com resultados mistos. A União Europeia está discutindo regras para vacinação padronizada. Nos EUA, apesar de resistência histórica, o governo aprovou condicionalmente uma nova vacina para aves.
Para humanos, milhões de doses de vacinas contra o H5N1 estão estocadas em vários países, prontas para serem utilizadas em ambientes de risco. Caso o vírus adquira capacidade de transmissão entre pessoas, uma nova vacina adaptada à cepa atual será desenvolvida.
Informações do Época & Negócios, Angela Henshall



