
O Ministro da Justiça da França, Gérald Darmanin, confirmou neste domingo (18), em entrevista ao Le Journal du Dimanche (JDD), que o governo francês construirá uma prisão de segurança máxima na floresta amazônica, especificamente na Guiana Francesa, território ultramarino da França na América do Sul. A medida, que visa reforçar o combate ao narcotráfico e isolar criminosos de alta periculosidade, gerou forte reação entre autoridades locais, que acusam o governo francês de desrespeito histórico e colonialismo.
Segundo Darmanin, o presídio — que será o terceiro de segurança máxima na França — terá capacidade para até 500 detentos e contará com regime prisional extremamente rigoroso. A previsão de conclusão da obra, que deve custar cerca de 400 milhões de euros, é para o ano de 2028. O ministro afirmou que o local abrigará os criminosos mais perigosos do narcotráfico e também indivíduos condenados por extremismo islâmico, impedindo que mantenham conexões com redes criminosas externas.
Reações e críticas locais
Apesar do argumento de segurança nacional, o anúncio provocou críticas severas na Guiana Francesa. Para muitas lideranças locais, a decisão remete a um passado doloroso, quando a região foi usada como colônia penal, principalmente durante o regime de Napoleão III no século XIX.
Jean-Paul Fereira, presidente interino do Coletivo Territorial da Guiana Francesa, classificou a decisão como desrespeitosa, destacando a falta de diálogo com as autoridades locais. Já o parlamentar Jean-Victor Castor afirmou que o projeto representa uma “provocação política” e “regressão colonial”.
“É um insulto à nossa história”, escreveu Castor em comunicado publicado também no domingo (18), em que pede oficialmente a anulação da construção do presídio.
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A escolha da Guiana Francesa para sediar o novo presídio de segurança máxima é vista por críticos como uma continuidade de práticas coloniais. A região ficou marcada historicamente pela instalação de colônias penais francesas, como o famoso presídio da Ilha do Diabo, onde o oficial Alfred Dreyfus foi injustamente detido no final do século XIX.
Agora, mais de um século depois, o anúncio reacende discussões sobre o papel dos territórios ultramarinos no planejamento de segurança da França continental — e o quanto os interesses locais são considerados nas decisões do governo central.
A polêmica ainda deve repercutir nos próximos dias, à medida que políticos, ativistas e a sociedade civil da Guiana Francesa organizam mobilizações e exigem esclarecimentos do governo francês sobre a decisão unilateral.



