
A Polícia Civil do Piauí identificou o empresário identificado apenas como Gustavo, ex-garçom que passou a ostentar uma vida de luxo incompatível com sua renda declarada, como o principal alvo de uma operação da Superintendência de Operações Integradas (SOI) contra crimes de contrabando, descaminho, receptação qualificada e redistribuição ilegal de cargas.
De acordo com as investigações, Gustavo movimentou cerca de R$ 10 milhões nos últimos anos, embora declarasse renda mensal inferior a R$ 1.500. Somente em 2024, sua movimentação bancária ultrapassou R$ 3 milhões, valor que despertou a atenção das autoridades.
Ostentação e fachada de luxo
O investigado, que já tinha passagens pela polícia por receptação, porte ilegal de arma e uso de documento falso, vivia em uma residência avaliada em R$ 3 milhões, possuía um carro de mais de R$ 500 mil e contratava serviços de alto padrão nas áreas de arquitetura, energia solar e iluminação. “É uma pessoa sem empresa constituída, sem comércio regular e sem qualquer atividade formal que justifique esse padrão de vida”, destacou o delegado Felipe Bonavides, responsável pelo inquérito.
Esquema de contrabando de celulares e bebidas

Conforme o delegado Matheus Zanatta, Gustavo liderava um esquema de contrabando que trazia produtos do Paraguai para revenda em Teresina. Entre os itens mais comercializados estavam iPhones de última geração, perfumes importados e bebidas de luxo.
“Ele trazia produtos do Paraguai e distribuía para comerciantes locais. O forte dele era telefone celular, especialmente iPhone, alguns bem novos, que custam R$ 10 mil ou R$ 12 mil reais”, explicou Zanatta.
Apreensões e indícios de rede criminosa

Durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão, os agentes encontraram celulares de alto valor, uísques importados, champanhes, perfumes árabes, documentos de contratos de luxo e um carro avaliado em quase meio milhão de reais. O valor total dos bens apreendidos ainda será determinado pela perícia, mas apenas os aparelhos telefônicos somam mais de R$ 300 mil, segundo estimativas da polícia.
As investigações também apontam ligações financeiras entre Gustavo e outros empresários já investigados, como o conhecido “Maguim do Cell”, preso anteriormente por receptação e sonegação fiscal. “Há registros de movimentações bancárias com pessoas físicas e jurídicas ligadas a esquemas anteriores”, revelou Bonavides.
Ligações internacionais e novos alvos
O esquema, segundo a SOI, envolvia viagens frequentes ao Paraguai para o transporte irregular de mercadorias, sem o devido registro aduaneiro. A polícia apura ainda conexões internacionais e possível participação de estrangeiros, entre eles colombianos e venezuelanos.
As investigações continuam e, conforme a Polícia Civil, novas prisões preventivas devem ser solicitadas nos próximos dias. O material apreendido passará por perícia para determinar a origem e o destino final das mercadorias contrabandeadas.



