Teresina terça-feira, 20 outubro, 2026

Tesouro dos EUA procura Haddad para agendar reunião sobre tarifaço; Haddad promete medidas para setores afetados

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

A Secretaria do Tesouro dos Estados Unidos procurou o Ministério da Fazenda do Brasil para agendar uma nova reunião sobre o tarifaço de 50% imposto pelo ex-presidente Donald Trump a produtos brasileiros. O encontro ainda não tem data definida, mas marca o reinício das negociações sobre o tema, que teve seu primeiro debate oficial em maio, na Califórnia, entre o ministro Fernando Haddad e o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent.

“A assessoria do secretário Bessent fez contato conosco ontem [quarta-feira, 30] e, finalmente, vai agendar uma segunda conversa. A primeira, como eu havia adiantado, foi em maio, na Califórnia. Haverá agora uma rodada de negociações e vamos levar às autoridades americanas nosso ponto de vista”, afirmou Haddad nesta quinta-feira (31). Ele reconhece que a situação ainda exige muito debate. “Nós estamos em um ponto de partida mais favorável do que se imaginava. Mas longe do ponto de chegada. Há muita injustiça nas medidas que foram anunciadas ontem”, completou.

Produtos isentos e setores impactados

Apesar das duras tarifas, cerca de 700 produtos brasileiros ficaram de fora da lista. Estima-se que 43% do valor das exportações para os EUA não foi afetado. No setor mineral, 25% dos itens foram taxados.

Ainda assim, o ministro classificou os impactos como “dramáticos” para determinados setores. O governo brasileiro já prepara um plano de contingência para apoiar as empresas mais atingidas, com medidas previstas para os próximos dias.

“Há casos que são dramáticos, que deveriam ser considerados imediatamente. Nós vamos lançar parte do nosso plano previsto para ser lançado nos próximos dias de apoio e proteção à indústria e aos empregos”, disse Haddad. O pacote incluirá linhas de crédito específicas e apoio técnico, inclusive para setores de commodities que, embora tenham mercados alternativos, exigem tempo para redirecionar contratos.

Haddad descarta interferência judicial

Durante a coletiva, o ministro também comentou a tentativa de interferência no julgamento da tentativa de golpe de Estado no Supremo Tribunal Federal (STF), ponto levantado por aliados de Trump. Haddad rechaçou qualquer interferência nesse sentido:

“Talvez o Brasil seja uma das democracias mais amplas do mundo, ao contrário do que a Ordem Executiva [do Trump] faz crer. Nós temos que explicar que a perseguição ao ministro da Suprema Corte [Alexandre de Moraes] não é o caminho de aproximação entre os dois países”, afirmou.

A retomada do diálogo entre os governos deve marcar o próximo capítulo das negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, em meio a tensões políticas e à defesa da soberania institucional brasileira.

Informações da Agência Brasil

Acompanhe o Repórter Piauí nas redes!

Siga nosso Instagram Instagram, curta nossa página do Facebook Facebook, entre no nosso grupo do WhatsApp WhatsApp e acompanhe as notícias que movem você.

Repórter Piauí — Conectado ao que move você.