Teresina sexta-feira, 5 junho, 2026

Empresários são presos suspeitos de assassinar morador em situação de rua em Teresina

Foto: Divulgação

Três empresários foram presos na manhã desta segunda-feira (15/12), suspeitos de envolvimento no assassinato de José Carlos Costa Araújo, conhecido como “Da Mata”, morador em situação de rua encontrado morto na Avenida Maranhão, no Centro de Teresina. As prisões fazem parte da Operação Nêmesis, coordenada pela Delegacia de Investigação de Desaparecimento de Pessoas (DESAP), com apoio de unidades do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

Além dos mandados de prisão, a Polícia Civil também cumpriu ordens de busca e apreensão, resultando na coleta de veículos que podem ter sido utilizados na execução do crime. Os suspeitos são empresários e proprietários de estabelecimentos comerciais localizados na região central da capital.

Crime teria sido motivado por vingança

De acordo com as investigações, o homicídio ocorreu na madrugada do dia 20 de novembro e teria sido motivado por furtos atribuídos à vítima em comércios do Centro de Teresina. Inicialmente, a polícia apurava a possível participação de vigilantes noturnos, porém, com o avanço das diligências, os investigadores identificaram a participação direta de empresários no crime.

José Carlos era conhecido na região por envolvimento em furtos e arrombamentos, o que gerava conflitos constantes com comerciantes e vigilantes. Usuário de drogas e vivendo em situação de rua, ele havia sido preso dias antes do crime após furtar um condensador de ar-condicionado em outro ponto do Centro.

Foto: Reprodução

Segundo a Polícia Civil, as prisões foram realizadas após análise de provas técnicas, imagens de câmeras de segurança e cruzamento de informações colhidas ao longo da investigação, que ainda segue em andamento para identificar outros envolvidos e esclarecer completamente a dinâmica do crime.

Relembre o caso

O corpo de José Carlos Costa Araújo foi encontrado por volta das 0h35 do dia 20 de novembro, na Avenida Maranhão. A vítima apresentava múltiplos ferimentos causados por golpes de facão e barras de ferro. Uma das mãos havia sido decepada e deixada ao lado do corpo.

Moradores da região relataram ter ouvido gritos de socorro durante a madrugada, mas não conseguiram intervir. Informações levantadas pela polícia indicam que uma caminhonete branca, ocupada por homens armados e encapuzados, esteve no local no momento do crime. Após as agressões, o grupo teria deixado a vítima na avenida e fugido.

O assassinato ocorreu durante uma forte chuva, o que dificultou a identificação imediata dos autores. A Polícia Militar isolou a área e acionou a Polícia Civil, que realizou a perícia e encaminhou o corpo ao Instituto de Medicina Legal (IML). O DHPP trata o caso como homicídio com características de tortura.

Delegado detalha execução brutal

Em entrevista à TV Antena 10, o delegado Jorge Terceiro afirmou que o crime foi extremamente violento e que há mais pessoas envolvidas. Segundo ele, imagens de câmeras de segurança mostram toda a ação, que durou menos de três minutos.

“Alguns donos de comércio acabaram se reunindo para se vingar. Eles localizaram a vítima naquela noite, seguiram pelas ruas do Centro até a Avenida Maranhão. Quatro indivíduos desceram do veículo, perseguiram a vítima a pé e a executaram com barras de ferro e facão. Ele teve uma mão decepada e foi atingido na coluna cervical”, explicou o delegado.

Ainda conforme o delegado, após a morte, o corpo foi arrastado do meio da avenida até a margem do Rio Parnaíba. Durante os interrogatórios, dois suspeitos afirmaram que o objetivo da ação era fazer com que os furtos e arrombamentos na região cessassem. Um terceiro preferiu permanecer em silêncio.

“O crime foi cruel, de uma barbaridade difícil de ver até mesmo em outras ocorrências do DHPP. Não podemos permitir que pessoas decidam substituir a lei pela violência. Isso acaba igualando esses indivíduos aos criminosos”, destacou Jorge Terceiro.

Câmeras registraram toda a ação

Imagens obtidas pela polícia mostram que a perseguição começou às 22h46. A vítima foi espancada por cerca de um minuto, teve o corpo arrastado até a margem do Rio Parnaíba às 22h47 e, logo em seguida, os suspeitos fugiram. Durante o crime, carros e motocicletas passavam pelo local, sem que os agressores demonstrassem qualquer receio de serem vistos.

A Polícia Civil segue com as investigações e não descarta novas prisões nos próximos dias.