
A proposta do prefeito de Teresina, Silvio Mendes (União Brasil), de revisar o modelo de gratificação por mérito dos professores da rede municipal provocou reação imediata do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Teresina (SINDSERM). A entidade, por meio do Coordenador Geraldo SINDSERM, Sinésio Soares, divulgou um vídeo criticando duramente as declarações do gestor e acusando a administração de desvalorizar os profissionais da educação.
Na terça-feira (13), Silvio Mendes afirmou que pretende mudar os critérios da gratificação de mérito, alegando que o modelo atual apresenta falhas e não reflete o aprendizado real dos estudantes. O prefeito citou dados do último ano letivo, apontando que apenas 54% dos alunos do 9º ano estavam alfabetizados, enquanto 92% foram aprovados, número que considerou incoerente.
“Tem mérito? Acho que não. É preciso estabelecer que méritos são esses, quem merece ganhar uma gratificação com carimbo de mérito?”, declarou o prefeito, ao defender novos critérios baseados no desempenho efetivo dos alunos.
Resposta do Sinésio Soares do SINDSERM
Em reação, o Coordenador Geral do SINDSERM, Sinésio Soares, divulgou um vídeo público rebatendo as falas do prefeito. O sindicato acusa Silvio Mendes de atacar os servidores municipais e questiona a legitimidade das críticas feitas à política de valorização dos profissionais da educação.
“De um lado, o prefeito inicia o ano de 2026 da mesma forma que começou, com ataques aos servidores municipais. Ele questiona uma lei municipal, diz que há discordâncias, mas esquece que no ano passado concedeu a si próprio um reajuste de 47% e aos seus secretários e assessores um aumento de 61%. A pergunta é: qual foi o mérito do prefeito Silvio Mendes?”, diz.
O sindicato também criticou a condução da gestão municipal em outras áreas:
“Foi dar continuidade à destruição da educação municipal? Vai acabar com o transporte público? Foi realizar licitações lentas na saúde e comprar livros sem licitação na educação? É esse o método? Se esse é o mérito, os profissionais da educação não querem.”
Outro ponto destacado pelo coordenador do SINDSERM foi a cobrança de pagamentos atrasados aos servidores:
“O prefeito tem que cumprir o que está na lei. A prefeitura deve hoje 15,57% desde 2022 e precisa pagar os profissionais da educação. No ano passado inteiro, não foi paga a revisão geral anual. Há denúncia no Tribunal de Contas, e essas contas serão avaliadas.”
A nota também questiona a autoridade do prefeito para opinar sobre políticas educacionais:
“Nós não queremos um prefeito fora da lei e não aceitamos avaliação de um leigo em educação, que não sabe o que significa meritocracia. A meritocracia é uma grande farsa, mas a farsa criada por Kleber Montezuma não nos interessa, nem a avaliação de um médico — com todo respeito aos médicos —, pois esse não entende nada de educação. O que queremos é valorização.”
Por fim, o sindicato afirmou que continuará cobrando o cumprimento dos direitos da categoria e que medidas jurídicas podem ser adotadas caso os pagamentos devidos não sejam realizados.



