
O senador Ciro Nogueira (PP) ingressou na Justiça contra o deputado estadual Fábio Novo (PT), alegando ter sido alvo de acusações que violam sua honra. A queixa-crime, protocolada em 7 de novembro, aponta que o parlamentar petista teria utilizado declarações publicadas nas redes sociais, logo após a divulgação da Operação Carbono Oculto 86, para insinuar que o senador estaria ligado a um esquema criminoso associado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo a petição, as falas de Fábio Novo configurariam os crimes de calúnia, difamação e injúria e teriam sido motivadas por “ressentimento eleitoral”, já que ambos disputaram espaço político em Teresina nas últimas eleições. Embora não cite Ciro Nogueira nominalmente, o deputado teria usado indícios que, de acordo com a defesa do senador, foram construídos para levar o público a fazer essa associação.
A Operação Carbono Oculto 86, deflagrada em 5 de novembro, investiga um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo uma estrutura empresarial utilizada pelo PCC nos estados do Piauí, Maranhão e Tocantins. Após a deflagração da operação, Fábio Novo publicou comentários insinuando que valores movimentados pelo grupo estariam ligados ao entorno político de Ciro Nogueira.
Relação com empresa da família
Um dos pontos abordados pelo deputado se refere ao irmão do senador, proprietário de uma construtora que possui um terreno alugado a um posto de combustíveis alvo da operação. A defesa de Ciro Nogueira enfatiza que a negociação é regular e que o empresário não tem ligação com as atividades criminosas investigadas. A menção ao endereço compartilhado, conforme a ação, teria sido usada de forma distorcida para sugerir envolvimento indevido.
A queixa-crime também menciona a referência feita por Fábio Novo ao ex-vereador Victor Linhares, que teve bens bloqueados por ordem judicial no mesmo inquérito. Embora o ex-vereador tenha histórico de atuação junto ao Progressistas e já tenha sido assessor de Ciro Nogueira, a defesa destaca que o senador não teve participação nas movimentações financeiras sob investigação e não exerce qualquer controle sobre as ações de Linhares.
Ausência de menção ao senador nas investigações
De acordo com a peça protocolada, nenhuma etapa da Operação Carbono Oculto 86 faz referência a Ciro Nogueira. A defesa afirma que não há qualquer documento, declaração oficial ou relatório policial que vincule o nome do senador aos fatos apurados.
Com base nesses argumentos, o pedido apresentado à Justiça solicita que Fábio Novo esclareça se suas afirmações tinham como alvo o senador e apresente provas, documentos ou fontes que sustentem as acusações feitas publicamente. O texto da ação afirma que o deputado extrapolou os limites da crítica política e imputou fatos criminosos sem respaldo, motivo pelo qual o senador pede que haja manifestação formal do adversário perante o Judiciário.



