
A Justiça do Piauí determinou nesta quinta-feira (14) que o advogado Marcus Vinicius de Queiroz Nogueira seja julgado pelo Tribunal do Júri, em razão do acidente de trânsito ocorrido em dezembro de 2021, na Zona Sul de Teresina, que resultou na morte de um homem e deixou duas mulheres e uma bebê de 9 meses feridas.
O advogado afirmou que respeita a decisão judicial, mas pretende recorrer em duas instâncias, alegando que o caso não deveria ser submetido a júri popular. Marcus Vinicius questiona, entre outros pontos, o laudo pericial e o depoimento do médico que não teriam detectado sinais de embriaguez, e contesta a velocidade apontada pela perícia.
O juiz da 1ª Vara do Tribunal Popular do Júri de Teresina, Ronaldo Marreiros, rejeitou pedidos da defesa para anular provas digitais e alterar a classificação dos crimes, considerando que os argumentos apresentados eram genéricos e sem comprovação.
Leia também:
Segundo a denúncia do Ministério Público do Piauí, Marcus Vinicius dirigia em alta velocidade, desobedeceu a sinalização do semáforo e ingeriu grande quantidade de álcool antes do acidente, atingindo o veículo onde estavam as vítimas. A promotoria sustenta que a conduta configura ação dolosa.
O acidente resultou na morte de Raimundo Nonato da Silva Oliveira. As filhas da vítima, Alice Silva e Aline Alves Oliveira, e a neta Laura Sofia Alves Silva ficaram feridas. O caso também teve repercussão na Ordem dos Advogados do Brasil no Piauí (OAB-PI), de onde Marcus Vinicius foi afastado da presidência da Comissão de Prerrogativas, retornando em janeiro deste ano como diretor-tesoureiro.
Vídeos obtidos em câmeras de segurança registram o momento em que o advogado invadiu o sinal vermelho e colidiu com o veículo de Raimundo, deixando o homem preso às ferragens. O Corpo de Bombeiros foi acionado, mas a vítima já estava sem vida quando a equipe chegou ao local.
A Justiça fixou uma indenização mínima de R$ 726 mil para as vítimas sobreviventes. Marcus Vinicius segue em liberdade, utilizando tornozeleira eletrônica.



