
Uma servidora pública de 40 anos, cujo nome foi mantido em sigilo por questões de segurança, denunciou um cabo da Polícia Militar do Piauí (PM-PI) por reiteradas agressões no contexto de violência doméstica. O relacionamento de dez meses entre os dois foi marcado por episódios de violência física e psicológica, culminando em sucessivas denúncias e uma luta por proteção e justiça.
O primeiro caso registrado ocorreu em março deste ano, quando a servidora afirmou ter sido surpreendida pelo PM na porta de casa. A vítima estava acompanhada pelos filhos quando o cabo a agrediu verbalmente, fisicamente e até tentou intimidar um dos filhos, que registrava a violência em vídeo.
“Ele me enforcou e agrediu com socos e chutes. Quando meu filho começou a filmar, ele tomou o celular e ainda o ameaçou. Só foi embora quando meus filhos pediram ajuda aos vizinhos”, relatou.
Após o episódio, a mulher procurou a Corregedoria da PM-PI, registrou boletim de ocorrência e solicitou uma medida protetiva. Como resultado, o policial perdeu o direito de portar arma de fogo. E mesmo com a medida protetiva, o casal reatou o relacionamento. Porém, as agressões recomeçaram e, em 21 de outubro, um vídeo de câmera de segurança flagrou o PM agredindo a servidora na rua, na presença dos filhos, de 17 e 7 anos.
“Ele me atacou com socos e chutes, enquanto meus filhos corriam pedindo ajuda. Quando a polícia chegou, ele apenas conversou com os colegas e foi embora dirigindo”, lamentou a vítima.
O episódio mais recente ocorreu em 7 de novembro, quando o PM teria invadido a casa da vítima armado, ameaçando-a de morte.
“Mesmo proibido de portar arma, ele entrou na minha casa e disse que me mataria se eu denunciasse novamente”, declarou a servidora, que precisou mudar de endereço por temer pela própria vida.
A Corregedoria da PM-PI instaurou um processo administrativo disciplinar contra o cabo. Segundo o corregedor, coronel Newmarcos, o processo visa tratar das infrações disciplinares do policial, mas os crimes de violência doméstica são de competência da Justiça Comum.
“A corregedoria apura as infrações contra a instituição. Cabe à Delegacia da Mulher investigar os crimes e à Justiça aplicar a pena”, explicou o oficial.
Mesmo com três denúncias formais, vídeos comprovando as agressões e medidas protetivas expedidas, a servidora questiona a eficácia das ações.
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