Teresina terça-feira, 25 agosto, 2026

Polícia Civil cumpre mais de 40 mandados contra grupos suspeitos de aplicar golpes eletrônicos no Piauí

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Foto: Divulgação/Polícia Civil do Piauí

A Polícia Civil do Piauí deflagrou, nesta terça-feira (25), as operações Compra Fantasma e Miragem Financeira, que têm como alvo dois grupos suspeitos de atuar em fraudes eletrônicas. Ao todo, foram cumpridos mais de 40 mandados judiciais, entre prisões temporárias e buscas e apreensões.

As ações foram coordenadas pelo Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), com apoio da Superintendência de Operações Integradas (SOI) e das Polícias Civis de Minas Gerais e São Paulo. Os mandados foram expedidos pela Central de Inquéritos da Comarca de Teresina.

Segundo as investigações, os dois grupos provocaram prejuízo superior a R$ 1 milhão, com mais de 100 vítimas identificadas somente no Piauí. Os suspeitos atuavam de diferentes formas, utilizando plataformas digitais, aplicativos de mensagens e transferências via PIX para executar os golpes.

Operação Compra Fantasma

Na Operação Compra Fantasma, os investigados monitoravam anúncios de produtos usados publicados em plataformas como Mercado Livre e OLX. Eles entravam em contato com os vendedores e se passavam por compradores interessados.

Após a negociação, os suspeitos enviavam e-mails falsos que simulavam a confirmação do pagamento. As vítimas, acreditando que haviam recebido o dinheiro, entregavam os produtos.

A retirada das mercadorias era feita por motoristas de aplicativo. Posteriormente, os itens eram revendidos por integrantes do esquema.

Conforme a investigação, os valores obtidos eram divididos entre os participantes, com 70% destinados ao líder do grupo e 30% para a pessoa responsável por receber a mercadoria.

Durante a operação, uma mulher foi presa em Teresina por suspeita de integrar o esquema. Segundo a investigação, ela seria responsável por receber os produtos obtidos por meio das fraudes e encaminhá-los para outros integrantes da organização em São Paulo.

Operação Miragem Financeira

A segunda investigação, denominada Miragem Financeira, apura golpes relacionados a supostos investimentos.

De acordo com a Polícia Civil, os criminosos utilizavam grupos de aplicativos de mensagens para entrar em contato com pessoas interessadas em investir dinheiro. Eles criavam perfis falsos de supostos consultores financeiros e usavam indevidamente o nome de uma instituição financeira conhecida para passar credibilidade.

As vítimas eram convencidas a instalar um aplicativo falso de corretora e realizar transferências via PIX para empresas de fachada controladas por terceiros ligados ao grupo.

O golpe era descoberto quando as vítimas tentavam recuperar os valores investidos ou percebiam que os rendimentos prometidos não existiam.

Polícia faz alerta

A Polícia Civil orienta a população a desconfiar de compradores que insistam em retirar negociações das plataformas oficiais, principalmente quando houver pressão ou urgência para concluir a venda.

A recomendação é confirmar o recebimento do pagamento diretamente no aplicativo ou sistema oficial do banco antes de entregar qualquer produto. Comprovantes enviados por mensagens ou e-mail não devem ser considerados suficientes para confirmar uma transação.

Para quem pretende investir, a orientação é verificar se a empresa e os profissionais envolvidos possuem registro e autorização dos órgãos reguladores, como a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o Banco Central.

As investigações continuam para identificar outros possíveis envolvidos e esclarecer a participação de cada suspeito nos esquemas.