
Mais de 100 pessoas de Teresina serão intimadas pela Polícia Civil do Piauí para prestar esclarecimentos por suspeita de terem cedido documentos, dados pessoais e biometria facial utilizados em um esquema de fraudes eletrônicas investigado na Operação Chip Falso. A informação foi confirmada pelo coordenador do Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), delegado Humberto Mácola.
Segundo o delegado, essas pessoas não são apontadas, inicialmente, como integrantes da organização criminosa, mas teriam contribuído para o esquema ao permitir que suas identidades fossem utilizadas na habilitação irregular de linhas telefônicas empregadas na prática dos crimes.
De acordo com Mácola, mesmo quem afirma desconhecer a finalidade para a qual os dados seriam utilizados poderá responder criminalmente. Ele destacou que ninguém deve fornecer a terceiros documentos, CPF, contas bancárias ou biometria facial.
“Algumas pessoas alegam que não sabiam para que os dados seriam utilizados, outras afirmam que desconfiavam. O fato é que ninguém deve emprestar seu nome, CPF ou biometria para outra pessoa. Ao fazer isso, assume o risco de participar de uma atividade ilícita e poderá ser responsabilizado”, explicou o delegado.
O coordenador do DRCC também reforçou o alerta para que a população não compartilhe informações pessoais ou bancárias, ressaltando que essa prática pode resultar tanto em prejuízos financeiros quanto em responsabilização criminal.
Operação Chip Falso
A Operação Chip Falso foi deflagrada pela Polícia Civil do Piauí na quarta-feira (15) com o objetivo de desarticular uma organização criminosa especializada em fraudes eletrônicas e invasões de sistemas informáticos.
Durante a ação, foram cumpridos 30 mandados judiciais, entre prisões temporárias e buscas e apreensões. Dez pessoas foram presas, enquanto outros investigados continuam sendo procurados.
As investigações apontam que o grupo utilizava a técnica conhecida como SIM Swap, que consiste na transferência fraudulenta da linha telefônica da vítima para um chip controlado pelos criminosos. Com acesso ao número de telefone, os suspeitos conseguiam invadir aplicativos, acessar contas bancárias e aplicar golpes financeiros.
A Polícia Civil também identificou uma central de operações funcionando em uma residência no bairro Monte Castelo, na zona Sul de Teresina. No local, eram utilizados documentos falsificados, selfies biométricas manipuladas e imagens produzidas com inteligência artificial para burlar os sistemas de autenticação de operadoras de telefonia e instituições financeiras.
Segundo a investigação, dezenas de selfies atribuídas a supostos clientes eram produzidas no mesmo ambiente, reforçando a suspeita de um esquema estruturado para fraudes de identidade.
Ex-funcionária continua foragida
Entre os principais alvos da investigação está a ex-funcionária de uma operadora de telefonia Rosana Rodrigues da Silva, apontada pela Polícia Civil como peça-chave do esquema. Ela segue foragida.

Conforme o delegado Humberto Mácola, os investigados poderão responder por crimes como estelionato, associação criminosa e, conforme o avanço das investigações, também por lavagem de dinheiro.
A Polícia Civil informou que novas fases da Operação Chip Falso deverão ser realizadas nos próximos dias para identificar outros envolvidos e ampliar o alcance das investigações.



