
A Secretaria de Justiça do Piauí (Sejus-PI) instaurou um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para investigar a conduta de uma policial penal suspeita de ter cometido falha funcional relacionada à fuga de detentos da Penitenciária Professor José de Ribamar Leite, antiga Casa de Custódia de Teresina. A decisão foi publicada no Diário Oficial do Estado.
A apuração tem como base uma fuga registrada no dia 17 de agosto de 2025, quando dois internos conseguiram escapar da cela 18 do Pavilhão F da unidade prisional. Entre eles estava Thiago Teixeira Silva, investigado por envolvimento no assassinato e ocultação do corpo de um jovem em 2020.
Segundo os documentos da investigação, a fuga ocorreu por volta das 16h50, período em que a servidora deveria estar responsável pelo monitoramento das câmeras de segurança da unidade. Relatório produzido durante a sindicância aponta que ela teria permanecido fora da sala de vigilância entre 15h e 17h, sem justificativa formal.
As investigações indicam que a presença do agente no setor era considerada fundamental para identificar situações de risco e acionar rapidamente as equipes de plantão. A comissão responsável pela apuração concluiu que existem indícios de que a ausência da policial pode ter contribuído para o sucesso da fuga.
Durante os trabalhos investigativos, foram analisadas imagens do circuito interno de monitoramento, além de depoimentos de servidores que estavam de serviço no momento da ocorrência.
Conforme informações apuradas na época da fuga, os detentos utilizaram uma corda improvisada com lençóis para escalar estruturas internas da penitenciária, alcançar uma área de vigilância e, posteriormente, ultrapassar o muro da unidade prisional.
Ao longo da sindicância, foi avaliada a possibilidade de celebração de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), mecanismo que poderia encerrar o caso sem aplicação imediata de sanções disciplinares. No entanto, a medida foi considerada inviável devido ao histórico funcional da servidora, que já havia sido punida em outro procedimento administrativo com suspensão de 15 dias.
Diante dos elementos reunidos, a Sejus acatou pareceres técnicos e determinou o encaminhamento do caso à Corregedoria da Controladoria-Geral do Estado (CGE-PI), que dará prosseguimento ao processo disciplinar.
A policial investigada terá assegurados o direito ao contraditório e à ampla defesa durante a tramitação do procedimento, que busca esclarecer as circunstâncias da ocorrência e eventual responsabilidade administrativa.



